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Contratos fechados com geradoras podem levar a uma economia de até 20%

Atentas às oportunidades de reduzir os custos de energia, as médias empresas, aquelas com potencial de contratação de 0,5 a 3,0 megawatts (MW), estão migrando cada vez mais do mercado cativo para o mercado livre (permite negociação direta entre empresas e geradoras). Essas empresas, conhecidas como consumidores livres especiais de energia, estão em buscas de gastos menores, que em alguns casos podem chegar a 20%. Diante do interesse das médias empresas, como shoppings, hospitais, supermercados e prédios comerciais, é que a Comerc Energia, empresa de gestão e comercialização, viu sua base de clientes aumentar.

Cristopher Vlavianos, presidente da Comerc, conta que a empresa saltou de 192 unidades de consumo para 330 em outubro desse ano. De acordo com o executivo, o número de unidades deve crescer ainda mais longe e atingir 520 em janeiro de 2014. “O mercado está mais intenso, motivado pela entrada das empresas de médio porte que estão em busca de reduzir suas despesas”, explica.

Dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) mostram que em agosto desse ano, o mercado livre era composto por 1.239 empresas, que estavam incluídas dentro de um cenário composto por 2.096 agentes (distribuidor, importador entre outros).

Segundo o presidente da Comerc, o potencial de crescimento do mercado é expressivo.

“Acreditamos que exista uma oportunidade do mercado livre crescer dez vezes em número de consumidores, motivado pela entrada das médias empresas.” Segundo a CCEE, o potencial de migração para o mercado livre de companhias acima de 0,5 MW chega a 12.292 empresas que devem consumir cerca de 9.223 MW médios.

Vlavianos explica que a principal vantagem para as empresas é a possibilidade de negociar preço, além de utilizarem fontes renováveis de energia (eólica, biomassa e pequenas centrais hidrelétricas). “A previsibilidade contratual é uma das principais vantagens do mercado livre de energia. A partir de um estudo detalhado sobre o perfil de consumo de energia, é possível traçar uma estratégia de curto, médio ou longo prazo com as condições mais favoráveis e seguras para o cliente”, explica o executivo.

Diante dessas vantagens, a Comerc espera encerrar o ano com faturamento de R$ 700 milhões, ante os R$ 460 milhões registrados em 2011.

Reviravolta

Os interessados em entrar no mercado livre de energia precisam ficar atentos as janelas de oportunidades. Segundo Vavlianos, da Comerc, o Preço da Liquidação das Diferenças (PLD) em 2012 chegou a variar entre R$ 20 MWh a R$ 360 MWh.

A alta volatilidade, resultada principalmente por problemas meteorológicos acaba criando receio nas empresas. Além disso, a Medida Provisória 579, que entre seus objetivos estabelece uma redução na tarifa repassada para as indústrias, pode reduzir a migração para o mercado livre. “São formas de o governo impedir que mais empresas passem para o mercado livre. Em 2012 percebemos um forte interesse pela mudança o que deve voltar a normalidade nos anos seguintes como impacto da MP.”

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