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Desastres naturais e quebra de equipamentos geraram em média 14 indenizações ao ano até 2011 no mundo

Brasil Econômico

As indenizações das seguradoras direcionadas ao setor de energia (geração, distribuição e transmissão) somaram US$ 2 bilhões na última década em todo o mundo, revelou estudo conduzido pela Bowring Marsh, unidade de resseguros da corretora, com base em seus clientes, que é uma amostra do que ocorreu no mercado de forma geral. A pesquisa, obtida com exclusividade pelo BRASIL ECONÔMICO, mostra que entre 2001 e 2011, aconteceram em média 14 eventos anuais, que geraram sinistros de US$ 190 milhões ao ano. A maioria das indenizações foi provocada por desastres naturais, como os tsunamis e terremotos na Ásia. Abalados por tantas perdas pesadas, as resseguradoras passaram a restringir coberturas em locais onde existe uma exposição maior aos eventos da natureza. “A tendência agora é focar em quem não está tão exposto. É o caso do Brasil”, diz Eduardo Takahashi, diretor do segmento Risk Management da Marsh Brasil.

Mas as seguradoras tem grande interesse aqui também pela diversificação da matriz energética e pelas formas limpas de produção, como a hidrelétrica e eólica, diz o executivo.

Além dos competidores tradicionais no mercado internacional estarem se interessando mais pelo Brasil, principalmente por conta das altas perdas no exterior como no Japão e na Indonésia, as seguradoras e resseguradoras brasileiras estão se especializando em riscos mais complexos, trazendo mais competitividade ao mercado local. A corretora Marsh tem crescido 40% em média ao ano na intermediação de contratação de seguro para o setor de energia.

No entanto, ainda há gargalos a superar no Brasil. Segundo Takahashi, vendavais, alagamentos e raios afetam linhas de transmissão e casas de força de hidrelétricas. “Ainda assim os números de sinistros são pequenos em relação ao tamanho da matriz energética e do volume de prêmios no Brasil”, diz. Mas aqui não é possível medir quanto o setor de energia movimenta em seguros, uma vez que as estatísticas dizem respeito ao tipo de apólice, como responsabilidade civil, propriedades, e não são divididas por tipo de indústria contratante.

Grandes perdas

A pesquisa global da Bowring Marsh mostra que, desde 2005, nenhum ano passou sem que as seguradoras vissem ao menos uma grande perda — aquela com valores superiores a US$ 25 milhões — no setor de energia, seja pela quebra de um equipamento ou desastres naturais como enchentes e terremotos. O ano de 2010 foi o pior, quando o volume total pago pelas seguradoras ficou em US$ 455 milhões.

A complexidade da tecnologia e o custo da matéria-prima aumentaram também o valor dos equipamentos usados pelas empresas de energia, elevando o valor das indenizações. De 2001 a 2011, a maior perda aconteceu em turbinas para geração de energia, com perdas três vezes maiores que as verificadas em outros tipos de equipamentos. Dos mais de US$ 2 bilhões de perdas no período, US$ 1,2 bilhão foi neste item.

As turbinas registraram também a maior frequência de acidentes no período. Foram cerca de 75 eventos entre 2001 e 2011 contra a média de 19 com outros tipos de equipamento. O fato é que nem mesmo a melhor gestão e os melhores equipamentos podem tornar o setor imune às perdas, conclui o relatório da Marsh.

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