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Para empresários do setor, telecom não será um dos gargalos durante os grandes eventos, mas Brasil tem muito a aprender com experiência de Londres

Empresários afirmam que serviços de transmissão de voz e dados estarão prontos até os eventos
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Empresários afirmam que serviços de transmissão de voz e dados estarão prontos até os eventos

Se a infraestrutura dos aeroportos brasileiros e o trânsito nas grandes cidades estão entre os temas que mais preocupam os organizadores da Copa do Mundo em 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, empresários e analistas do setor de telecomunicações demonstram estar mais confiantes na eficiência dos serviços de transmissão de voz e dados durante os grandes eventos.

A aposta é que, a despeito dos atuais problemas enfrentados pelas principais operadoras de telecom do País, como a sobrecarga nas redes e a insatisfação dos usuários, os investimentos programados para os próximos quatro anos serão suficientes para garantir um bom resultado do setor nos grandes eventos.

“Estou muito otimista. Não tenho dúvidas de que todas as cidades-sede da Copa estarão preparadas a tempo para oferecer o 4G no prazo previsto, provendo as demandas de multimídia que os clientes vão exigir, como a transmissão de vídeos de alta definição com grande velocidade”, afirma Otávio Marques Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez Telecomunicações, acionista da Oi.

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Para Azevedo, o fato de Londres ter registrado algumas falhas na transmissão de dados durantes o Jogos Olímpicos representa uma grande oportunidade para o Brasil, uma vez que novas tecnologias foram desenvolvidas, como a utilização, nos estádios, de antenas semelhantes a painéis com células para atender um público estimado em 82 mil pessoas. “Essas soluções, que não existiam antes de Londres, certamente serão muito úteis para o planejamento da infraestrutura no Brasil”, avalia.

Experiência de Londres

Também otimista em relação aos grandes eventos, embora um pouco mais conservador, João Pedro Flecha de Lima, presidente da Huawei, diz que a infraestrutura brasileira de telecomunicações ainda não está preparada, “mas poderá ficar”. Para tanto, observa o executivo, é fundamental observar a experiência recente de Londres na organização dos Jogos Olímpicos, uma vez que a previsão da empresa é que o tráfego de dados em 2014 e 2016 deverá se destacar, correspondendo a mais de 95% do tráfego local.

“A estrutura montada para as Olimpíadas deste ano atendeu, em grande parte, as necessidades do evento. Mas, mesmo com tantos investimentos, houve falhas. Em Londres, apenas 15% dos usuários de 3G tentaram assistir um evento ao vivo pelo celular. Destes, 70% não tiveram êxito. Também houve congestionamento na rede de dados durante as provas de ciclismo e nas estradas locais que levavam ao Parque Olímpico”, afirma o presidente da Huawei, que é um dos palestrantes da Futurecom, evento do setor de telecomunicações que acontece entre os dias 8 e 11 de outubro, no Rio de Janeiro.

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Gil Odebrecht, diretor de desenvolvimento de novos negócios da Ericsson, reforça a necessidade de investimento não só em capacidade, como também em qualidade de rede. Segundo ele, a experiência recente da empresa nos Jogos Olímpicos de Londres e no Mundial da África mostrou que o volume de transmissão de dados no entorno das arenas e estádios chegou a ser 15 vezes maior que o normal.

“O que percebemos, ao participar desses eventos como fornecedores de equipamentos e soluções, é que, por mais que o País se organize e se prepare, o volume de transmissão de dados é sempre maior do que o esperado. Afinal, quanto maior a capacidade de banda disponível, mais as pessoas utilizam o serviço”, revela.

Diante desse cenário, empresários e executivos do setor acreditam que seja fundamental incentivar o compartilhamento de redes entre as operadoras e reforçar a cobertura no entorno das arenas e estádios. Também é classificada como imprescindível a utilização de redes WiFi para desafogar o tráfego da rede móvel em locais de grande densidade de pessoas.

Sobreposição de tecnologias

Diretor para América Latina e Caribe da 4G Americas, Erasmo Rojas é um dos que defendem a sobreposição de tecnologias e a necessidade de se oferecer frequências temporárias durante os jogos. Para ele, o sucesso brasileiro na prestação de serviços de telecom durante a Copa e as Olimpíadas depende da união de várias tecnologias. A tecnologia 4G sozinha, diz, não resolverá a necessidade de transmissão de dados em 2014 e 2016.

Embora demonstre preocupação com o prazo para a instalação de novas redes, Rojas julga que o Brasil estará apto a atender as necessidades de comunicações tanto dos brasileiros, quanto dos turistas profissionais e estrangeiros que vierem ao País. Ele destaca ainda que o Brasil tem a chance de avaliar a qualidade dos serviços na Copa das Confederações. "Este evento será uma grande oportunidade de fazer os ajustes necessários para a Copa do Mundo, que exigirá uma infraestrutura adequada em várias cidades brasileiras”, afirma.

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Já o chefe da área de pesquisa do Espirito Santo Investment Bank (BES), Roger Oey garante estar mais preocupado com as condições dos aeroportos do que com serviços de voz e de transmissão de dados. O fato de que as redes das principais operadoras estão sobrecarregadas e que as empresas foram obrigadas pela Anatel a apresentar planos emergenciais de melhoria da qualidade de serviços não representa, para o analista, um motivo de preocupação.

“As quatro maiores empresas do País vão investir R$ 20 bilhões até 2016. Em alguns casos, os investimentos correspondem a mais de 15% da receita líquida da companhia, patamar acima da média mundial do setor, que é de 12%”, acrescenta Oey.

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O analista observa, entretanto, que todos esses investimentos devem vir acompanhados de regras mais claras para o setor. Na avaliação dele, o governo precisa rever o planejamento de médio e longo prazo para algumas atividades. Um exemplo citado por Oye é o aumento de impostos para a tv por assinatura, o que, segundo ele, pode levar a uma redução dos aportes de capital na expansão do serviço.