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Sucesso da implementação do 4G depende, entretanto, de investimentos em 3G e de trabalho coordenado entre iniciativa pública e privada para reduzir burocracia no setor, avalia Erasmo Rojas

O desenvolvimento da rede 3G e a articulação de um trabalho coordenado entre as operadoras de telecomunicações e o governo são os principais gargalos para o sucesso da implementação da rede 4G no Brasil. A avaliação é de Erasmo Rojas, diretor para América Latina e Caribe da 4G Americas, associação que reúne as principais operadoras e fornecedores de equipamentos de telecomunicações das Américas.

Erasmo Rojas, diretor para América Latina e Caribe da 4G Americas
Divulgação
Erasmo Rojas, diretor para América Latina e Caribe da 4G Americas

“Ao contrário do que muitos pensam, o desenvolvimento da tecnologia e os preços dos aparelhos e serviços não são os maiores desafios para o sucesso do 4G no Brasil. O que realmente pode prejudicar o País é a falta de um trabalho coordenado entre o governo e as empresas. Hoje, perde-se muito tempo discutindo “detalhes” que atrasam todo o cronograma, como as regras para a instalação de antenas ”, diz o executivo, que deverá falar sobre os desafios regulatórios nas comunicações na América Latina durante a Futurecom, principal evento nacional do setor de telecomunicações, que acontece entre os dias 8 e 11 no Rio de Janeiro.

Rojas explica que o número de antenas necessárias para oferecer o serviço 4G - próxima geração de conexões sem fio que, além de ser mais estável, eleva velocidades de download e upload  – é, em média, três vezes maior que o exigido pela rede 3G.

“Se hoje as empresas já enfrentam dificuldades em manter as antenas que possuem, devido à variedade de regras existentes nos grandes centros, imagine quanto tempo levará até negociar a instalação de todas as antenas necessárias para a cobertura 4G”, pondera o executivo, para quem a demora entre o leilão das frequências e a assinatura dos contratos é outro exemplo de tempo perdido com burocracia no País.

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Para Rojas, o 4G representa uma excelente oportunidade para que o governo estimule o compartilhamento de infraestrutura entre as operadoras, o que poderá economizar muito tempo na implementação da tecnologia.

A despeito das críticas aos trâmites burocráticos, Rojas avalia que a postura do governo, ao exigir maior compromisso com a qualidade dos serviços prestados pelas operadoras, foi bastante benéfica para o desenvolvimento da tecnologia 4G. Segundo ele, o sucesso da nova geração depende da união de várias tecnologias e, em especial, do 3G.

“A Anatel agiu bem ao cobrar, das operadoras, investimentos na melhoria da qualidade dos serviços. Se o 3G não funcionar de maneira adequada, não será possível desenvolver a quarta geração de tecnologia. Afinal, o 4G não substitui o 3G; as duas tecnologias trabalham juntas”, afirma.

Superados os principais gargalos, Rojas mostra bastante otimismo em relação ao papel que o Brasil pode desempenhar no desenvolvimento da tecnologia na região. Para ele, o País vai “catapultar o 4G na América Latina”.

Copa e Olimpíadas

“As pessoas dizem que o Brasil está muito atrasado, mas vocês têm uma vantagem que nenhum outro país da região pode oferecer, que é um case de negócios. Enquanto países como Chile e México ainda estudam como remunerar os investimentos, as operadoras brasileiras já sabem como ganhar dinheiro com esta tecnologia: oferecer a transmissão de vídeos de alta definição na Copa do Mundo e nas Olimpíadas”, destaca.

Para ele, essa oportunidade de negócios levará as empresas brasileiras a correrem contra o tempo, já que a operadora que ficar para trás perderá participação na fonte de receita que mais cresce nos setor de telecomunicações, que é a transmissão de dados. Segundo projeções da 4G Americas, até 2016, pelo menos 70% do mercado utilizarão os serviços de 3G e 4G, contra os atuais 30%. A 4G Americas prevê ainda que o Brasil terá 15 milhões de assinantes de 4G em 2016.

Rojas lembra ainda que as cidades-sede da Copa deverão receber um grande número de turistas estrangeiros dispostos a usar os mais avançados serviços de transmissão de dados, o que exigirá um esforço extra, tanto das operadoras, quanto do governo, para oferecer planos temporários especiais e criar novas regras de cobrança, além da utilização de estratégias como as que foram adotadas em Londres, a exemplo da disponibilização temporária de novas frequências no entorno dos estádios e das arenas. 

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