Tamanho do texto

A dois anos da Copa do Mundo, o país ainda está longe de ter estádios, aeroportos, hotéis e um sistema de comunicação confiáveis

Para Rosenberg e Felipão, brasileiro não tem porque reclamar da Copa
Mayara Teixeira
Para Rosenberg e Felipão, brasileiro não tem porque reclamar da Copa

A imagem do Brasil no mundo parece boa demais. Da capa da revista britânica “The Economist” de novembro de 2009, em que o Cristo Redentor era um foguete em ascensão, até hoje se manteve o mito da emergência econômica efervescente. A verdade é que o Brasil ainda é um país que enfrenta velhos estereótipos, uma enganosa igualdade racial e social, e gargalhos de infraestrutura.

Leia também:  Brasil precisa investir R$ 100 bi ao ano em infraestrutura, diz economista

O Cristo decolou, mas parece ter enfrentado turbulências no caminho. O evento Ideas Economy: Brazil the next level of competition, organizado pela publicação britânica, admite que já é hora de superar os empecilhos que barram o crescimento do país. “O Brasil só não cresce mais por causa de seus próprios problemas”, diz Marcelo Odebrecht, presidente Grupo Odebrecht que participou como palestrante.

A dois anos da Copa do Mundo, o país ainda está longe de ter estádios, aeroportos, hotéis e um sistema de comunicação confiáveis. “A Copa está sendo mal usada para construir a imagem brasileira”, diz Luis Paulo Rosenberg, vice-presidente do Corinthians, que se diz mais preocupado com a iluminação e o gramado do estádio que vai abrir o mundial do que com as obras de infraestrutura. “Vai triplicar Guarulhos para o alemãozinho ir e voltar do aeroporto e depois ficar com capacidade ociosa?”.

O ex-técnico do Palmeiras, Luiz Felipe Scolari, vai além e diz que nem mesmo com recursos humanos, no caso jogadores, o torcedor precisa se preocupar. “Há quinze dias dos jogos pode surgir alguém que vai decidir a Copa para o Brasil”. Tamanho otimismo esbanjado por Felipão e Rosenberg não é compartilhado pelo presidente do grupo Olodum, João Jorge Rodrigues.

Para ele a imagem de que o Brasil será sede da melhor Copa do Mundo é uma invenção. “Não estamos nesse patamar”, diz. “O Brasil ainda é uma potência em que a distribuição de renda é impossível”. Falando para uma plateia majoritariamente branca que pagou US$ 1750, o representante do grupo baiano rebateu críticas às cotas raciais em universidades dizendo que políticas afirmativas são necessárias e “não empobrecem ninguém”.

O recente protagonismo brasileiro também traz distorções na área cultural. Se por um lado artistas nacionais começam a ser reconhecidos no exterior, no mercado interno, o consumo de arte ainda engatinha. “A imagem que passamos é tão poderosa que chega a ser uma enganação”, diz Fernanda Feitosa, presidente da feira SP-Arte. Ela cita como exemplo a profusão de galerias estrangeiras que dificilmente encontrarão mercado para seus produtos.

    Notícias Recomendadas

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.