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Concessionária Aeroportos Brasil Viracopos anuncia plano de investimento de R$ 8,4 bilhões que deve ampliar a capacidade do aeroporto para 80 milhões de passageiros por ano

A concessionária Aeroportos Brasil Viracopos planeja antecipar de 2023 para 2017 a conclusão da segunda pista do aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP). A obra é estimada inicialmente em R$ 500 milhões e vai permitir ao aeroporto no interior paulista se tornar, de acordo com a empresa, o primeiro da América Latina com operações simultâneas de pouso e decolagem. O principal objetivo é atrair mais companhias aéreas para Viracopos e torná-lo opção para conexão com outros países sul-americanos. Hoje, este papel é desempenhado principalmente por Cumbica, em Guarulhos.

O projeto é parte do plano de investimentos para o período de 30 anos de concessão, anunciado pela empresa nesta segunda-feira. Pelo novo cronograma, a capacidade de atendimento deverá saltar dos atuais pouco mais de 7,5 milhões de passageiros ao ano para 80 milhões de passageiros anuais, mediante investimentos de R$ 8,4 bilhões. O projeto de expansão, porém, será dividido em cinco etapas.

Primeira etapa

O primeiro ciclo vai até 2014 e inclui a construção de um novo terminal para 14 milhões de passageiros por ano, além de estruturas auxiliares e complementares, ao custo de R$ 1,4 bilhão. Ele terá 28 pontes de embarque e um edifício-garagem para quatro mil vagas, com serviços como locadoras de automóveis, restaurantes e salas para os órgãos públicos que atuem no aeroporto. No projeto do anexo consta ainda a preparação para uma futura expansão vertical com escritórios comerciais e hoteis.

Segundo João Eduardo Cerdeira de Santana, presidente do Conselho de Administração da concessionária, algumas redes hoteleiras já manifestaram interesse em participar do investimento, não só na demanda que será gerada pelo aeroporto, mas também pela falta de leitos em Campinas e região.

O projeto do novo terminal prevê a construção de 30 mil metros quadrados de área, onde funcionarão lojas, restaurantes, estandes de companhias aéreas, áreas de check-in, de checagem de passaporte, posto da Receita Federal e retirada de bagagem. A essa estrutura estará ligada outra que avançará sobre o pátio, em forma de F, onde estarão portões de embarque. Parte das obras, como a terraplanagem, começou no final de agosto e deve acabar em outubro, abrindo espaço para trabalhos de fundação.

Boa parte do dinheiro para a viabilização da primeira etapa de expansão do aeroporto virá do BNDES. Segundo Santana, a concessionária já entrou com pedido de financiamento de pouco menos de R$ 1 bilhão de reais. Os cerca de R$ 400 milhões restantes virão dos sócios do negócio. A concessionária tem como acionistas Triunfo Investimentos, UTC Participações e Egis Airport Operation, além da Infraero.


Reformas

Em paralelo, deverá acontecer a modernização dos terminais já existentes, com investimentos de R$ 100 milhões. Do total, R$ 69 milhões vão para o setor de passageiros, o restante para o de cargas.

No terminal de passageiros, as mudanças previstas nas reformas incluem a ampliação da área de embarque, que deve mais que duplicar, de cerca de 2400 metros quadrados para pouco mais de 5800 metros quadrados. Um novo terminal remoto, com sete posições de estacionamento para aviões, também será erguido para a operação de ATRs, turbo-hélices, usados principalmente por Trip e Azul. Por fim, o plano contempla o puxadinho, também chamado de Módulo Operacional Provisório, que deve ser ampliado para colocação de novas esteiras de bagagem, o que ampliaria a capacidade de check-in.

Uma vez concluído o novo terminal, em 2014, Santana afirma que as estruturas antigas serão mantidas por algum tempo, como “back up” para uso em caso de extrapolação da demanda ou problemas no terminal principal. No futuro, porém, darão lugar aos prédios previstos no projeto de expansão.

Futuro

A segunda etapa do projeto de expansão, programada para começar em 2018, deverá elevar a capacidade ao aeroporto para 22 milhões de passageiros por ano. Nas etapas seguintes, programadas para começar nos anos de 2024 – com a terceira pista –, 2033 – com a quarta pista – e 2038, o número de passageiros suportado passará para 45 milhões, 65 milhões e 80 milhões, respectivamente.

A perspectiva, ao menos nos primeiros anos de concessão, é de aumento anual de entre 10% e 20% no volume de passageiros. Segundo Santana, é um crescimento viável e sustentável, levando em consideração somente a macro zona em que o aeroporto está assentado. “A região de Campinas e o interior do Estado crescem acima do PIB e da região metropolitana de São Paulo. Não dependemos de tirar tráfego de Cumbica”, diz o executivo. “Mas sabemos que lá há um limite de crescimento”.

No longo prazo, a partir de 2020, por exemplo, as projeções levam em consideração algum tipo de ligação ferroviária com São Paulo, seja ela o trem-bala, como quer o governo federal, ou um trem regional, como estuda o governo paulista. Tanto que está prevista para a segunda fase a construção de uma estação.

Roberto Guimarães, diretor administrativo e financeiro da concessionária, explica que atualmente 65% da receita total de cerca de R$ 400 milhões do aeroporto vêm do transporte de carga e 30% vêm de tarifas operacionais (taxa de embarque de passageiros, cobrança das companhias aéreas por pousos e decolagens e uso de pontes de acesso às aeronaves, entre outros). Os 5% restantes são ganhos não-operacionais, como aluguel de lojas e tarifa de das 2 mil vagas de estacionamento. A Aeroportos Brasil Viracopos não fala em estimativa de receita com o novo terminal, mas quer equilibrar cada divisão.