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"Estamos sentindo que tem aumentado um pouco o número de reclamações do serviço", disse o executivo João Rezende, presidente da agência reguladora

Agência Estado

Anatel vai chamar empresas de TV por assinatura para explicar problemas na rede, diz Rezende
Divulgação
Anatel vai chamar empresas de TV por assinatura para explicar problemas na rede, diz Rezende

Depois de ter dado uma prensa nas operadoras de telefonia celular , a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) vai chamar a atenção agora das empresas de TV por assinatura. O presidente da Anatel, João Rezende, contou que o órgão vai convocar uma reunião com as empresas nos próximos 15 dias para exigir melhora na qualidade dos serviços prestados, diante do aumento de reclamações de usuários.

"Nas próximas semanas vamos chamar também as empresas de TV por assinatura para uma conversa, porque estamos sentindo que está tendo um aumento muito grande, de 240 mil domicílios por mês adquirindo TV por assinatura, seja satélite ou cabo. E estamos sentindo que tem aumentado um pouco o número de reclamações do serviço", explicou Rezende. Segundo Rezende, o mercado de TV por assinatura estava estagnado havia 10 anos, mas explodiu com a abertura do mercado e o crescimento de renda no País.

A Anatel estima que, a cada ano, mais três milhões de consumidores comecem a utilizar o serviço. "As empresas precisam melhorar o nível de informações que dá para o usuário", afirmou o presidente da Anatel, dizendo que as empresas devem ser transparentes, mostrando ao usuário o que ele tem direito e quais as condições do contrato de serviço. "Então vamos chamar as empresas para passar essa nossa preocupação sobre os serviços de TV por assinatura", acrescentou. João Rezende participou hoje do Congresso Latino-Americano de Satélites, no Rio.

Quanto às operadoras de telefonia, Rezende afirmou que "a curva de piora" nos serviços já deu uma amenizada. O órgão chegou a punir, em julho, as operadoras Oi, TIM e Claro com a proibição da venda de novas linhas, sob acusação de má qualidade dos serviços prestados.

A agência ainda requisitou à Vivo, Sercomtel e CTBC um plano de melhorias. "Existe hoje uma preocupação maior das empresas em atender aqueles quesitos de melhoria na qualidade. Não podemos dizer que todos os problemas estão resolvidos, porque não estão, mas achamos que a curva de piora amenizou", disse Rezende.

A Anatel fará nova avaliação dos serviços prestados pelas operadoras de telefonia no País em novembro. "Vamos fazer essa avaliação e estamos fazendo reuniões permanentes com as empresas no sentido de buscar uma melhora contínua no serviço", contou. Na avaliação de Rezende, a busca pela qualidade dos serviços deveria ser tão importante nas empresas quanto a eficiência empresarial na relação com acionistas e com o mercado financeiro.

A Anatel também quer assegurar a melhoria no serviço de banda larga no País. O órgão começará a acompanhar a qualidade dos serviços de transmissão de dados, assim como já faz com a telefonia e começa a fazer com a TV por assinatura. A ideia é divulgar um ranking estadual das melhores prestadoras de banda larga, para obrigar as empresas a melhorar a qualidade do produto oferecido ao cliente.

"Vamos trabalhar, principalmente, na divulgação de um ranking estadual. Eu acho que muitas vezes a multa não traz uma melhoria direta para o usuário. Mas acho que divulgando um ranking das melhores, você pode atingir esse objetivo, porque a empresa perde cliente. Uma empresa sem clientes é uma empresa que não tem valor de mercado", justificou Rezende. A Anatel defende a utilização de satélites para levar a banda larga a lugares mais remotos do País, onde não há fibra ótica. Mas há necessidade de reduzir custos para viabilizar a empreitada.

"O satélite faz uma inclusão importante no Brasil, em função do tamanho do território brasileiro. É importante que consigamos ter a banda larga associada à exploração do satélite, porque teríamos um grande avanço nesse serviço", afirmou Rezende. Segundo ele, já está em estudo uma nova rodada de licitações para direito de explorações de satélite, que pode ter início ainda este ano.

"Esperamos a entrada de novos players e ampliação da capacidade espacial", anunciou o executivo. Atualmente, está em processo de conclusão a quarta fase da licitação conduzida em 2011. A agência já realizou cinco licitações de direito de exploração de satélites, sendo a primeira em 1998.