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Para Centro Brasileiro de InfraEstrutura, dependendo da redução tarifária e da relação com a renovação das concessões, Cesp poderá deixar de ser atrativa para investidores privados

Agência Estado

A privatização da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) pode ser inviabilizada pelas medidas de redução de tarifas de energia elétrica - anunciadas na quinta-feira (06) pela presidente Dilma Rousseff, e que serão detalhadas na terça-feira -, na avaliação do diretor do Centro Brasileiro de InfraEstrutura (CBIE), Adriano Pires. Segundo ele, dependendo de como será definida a redução tarifária e sua relação com a renovação das concessões, a Cesp poderá deixar de ser atrativa para investidores privados.

Para Pires, é temeroso que o governo utilize o momento em que as concessões de geração e distribuição de energia elétrica estejam vencendo para reduzir as tarifas. Condicionar a renovação da concessão a uma queda nas tarifas por parte das empresas pode gerar problemas. "O governo vai ter que calcular uma média histórica tarifária para calcular qual será a redução (da tarifa) destas empresas e, até onde eu saiba, não foi feita uma auditoria neste sentido", disse. O diretor da CBIE considera que seria importante saber quem e como irá definir esta redução.

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O dirigente, que também é professor da UFRJ, acredita que uma medida que vincule a renovação das concessões a uma redução tarifária é, além de autoritária, nociva para o equilíbrio financeiro das empresas. "Se as empresas reduzirem as tarifas apenas para terem suas concessões renovadas sem pensar no econômico, investimentos futuros em geração também serão afetados", afirma. O executivo lembra que o ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) já tentou privatizar a Cesp e o atual governador, Geraldo Alckmin, também acenou com esta possibilidade.

Porém, ele acredita que se a renovação da concessão for condicionada a redução de tarifa sem uma pesquisa qualificada, a Cesp pode ser duramente afetada. Ele também não descarta que o governo Dilma tente inviabilizar a venda da Cesp de forma deliberada, já que o Estado de São Paulo continua sendo uma região onde a influência do PT é menor.

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"Dependendo do teto da tarifa, ninguém vai comprar a Cesp", disse. Pires também se disse assustado com o fato de a presidente ter contraposto o programa de privatização do governo FHC ao atual, baseado em concessões, o que indica um forte viés intervencionista, principalmente levando em consideração que as primeiras concessões que deverão ser renovadas são de estatais.

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