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Presidente da empresa diz ser possível que o assunto seja resolvido com a ajuda de terceiros, como advogados ou uma câmara de arbitragem

A gestão da Gafisa buscará, nos próximos dias, um entendimento com a Alphapar sobre a proposta de pagamento para a conclusão da compra da AlphaVille, iniciada há seis anos. Segundo o presidente da Gafisa, Duílio Calciolari, é possível que o assunto seja resolvido com a ajuda de terceiros, como advogados ou uma câmara de arbitragem, por exemplo.

“É uma questão de entendimentos diferentes e é isso que vamos discutir nos próximos dias. Uma alternativa é chamar um terceiro para avaliar”, disse, sem detalhar quem seria o avaliador. Calciolari acrescentou que “acha difícil” a hipótese de não chegar a um acordo ou de recorrer à Justiça. Ele também disse que a relação com a Alphapar tem sido “cordial”.

Em 2006, a Gafisa comprou 60% da AlphaVille por R$ 201,7 milhões, e assinou um acordo de investimentos em que se comprometeu a adquirir as parcelas restantes da loteadora nos próximos anos. Em 2010, outros 20% foram incorporados por R$ 126,5 milhões. Atualmente, os 20% restantes ainda pertencem à Alphapar, representada pelos sócios Renato de Albuquerque e Nuno Lopes. Essa fatia foi avaliada em R$ 359 milhões.

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A Gafisa se propõe a comprar essa parcela restante por meio da emissão de 70,2 milhões de ações no valor de R$ 5,11. Esse valor se refere à média aritmética diária da cotação de fechamento da Gafisa no período entre o 5.º e o 20.º dia útil anteriores à data do recebimento da avaliação que definiu o valor da operação - o dia 23 de março.

No entanto, a Alphapar briga por uma emissão de 97 milhões de ações no valor de R$ 3,70, o que elevaria ainda mais sua participação na Gafisa. Essa diferença é justificada pelo uso de uma data posterior como referência. Como não houve convergência nos dois primeiros laudos de avaliação sobre o valor a ser pago pela Gafisa na parcela final da AlphaVille, foi necessária a contratação de um terceiro laudo, que usa como referência a data de 8 de junho, quando o valor das ações da incorporadora já havia caído bastante.

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A Gafisa afirmou ser equivocado o uso de outra data como referência e argumenta que isso causaria uma “diluição indevida” dos acionistas da companhia. Em qualquer um dos casos, porém, os ex-donos da AlphaVille se tornarão os acionistas mais relevantes da incorporadora, com participação entre 14% e 18% na companhia, que atualmente não conta com acionistas com mais de 5% de participação.

Questionado, Calciolari frisou que, independentemente de mudanças no quadro de acionistas, o plano de reestruturação da Gafisa continuará em curso e descartou a hipótese de mudanças no Conselho de Administração, que foi eleito em maio. A Gafisa revisou sua estratégia no segundo semestre de 2011 e adotou uma postura mais conservadora. A empresa reduziu lançamentos em 2012 e mudou o peso de suas marcas nos negócios. AlphaVille ganhou relevância e a marca Tenda, de imóveis econômicos, perdeu. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo .

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