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Com cerca de 700 pessoas na equipe de desenvolvimento de produtos, a empresa registrou 65 patentes em 2010

As donas de casa de Joinville, em Santa Catarina, alertaram a Whirlpool de que inovações em seus fogões poderiam atendê-las melhor. Em uma cozinha-teste da empresa na cidade, a equipe de design de produto assistiu suas consumidoras preparando um frango assado e percebeu que poderiam facilitar o processo para elas. Enquanto cozinhavam, as donas de casa abriram o forno e colocaram a mão dentro dele para verificar se estava pré-aquecido e, depois, para molhar o alimento. Essa prática chamou a atenção da Whirlpool e motivou o lançamento de duas novidades nos fogões de suas marcas Brastemp e Consul em 2010. Agora, uma tinta no vidro do forno de um fogão da Consul muda de cor e informa a cozinheira quando ele está aquecido. E, um modelo a vapor da Brastemp evita o ressecamento dos alimentos, sem precisar que ele seja regado.

Essas mudanças são dois dos 200 itens inovadores que a empresa incluiu em seus produtos em 2010, mais de um a cada dois dias. Em 2009, foram 160 novidades. E muitas delas nascem a partir de testes com consumidores, nos quatro centros de tecnologia da Whirlpool no Brasil.

A criatividade é a aposta da Whirlpool para se manter competitiva no mercado de eletrodomésticos. Criada nos Estados Unidos, a empresa completará seu centésimo aniversário em novembro de 2011. A corrida pela inovação começou na empresa no ano 2000, com um incentivo formal da matriz da companhia. Em 2006, a orientação foi reforçada e cada diretoria passou a ter metas de inovação para cumprir.

Mario Fioretti,gerente-geral de design e inovação da Whirlpool na América Latina
Greg Salibian/iG
Mario Fioretti,gerente-geral de design e inovação da Whirlpool na América Latina
“É muita responsabilidade para uma diretoria. Se a empresa não tiver cultura de inovação no sangue, as novidades não saem”, afirma o gerente-geral de design e inovação da Whirlpool na América Latina, Mario Fioretti, que coordena as ações da empresa nesta área.

A subsidiária brasileira incorporou a ideia e hoje é a única empresa privada do Brasil entre as mil maiores instituições do mundo no ranking de depósitos de patentes da Organização Mundial de Propriedade Intelectual. Em 2010, ela contabilizou 65 patentes, mais que o dobro das 31 registradas em 2009. A estimativa da companhia é que a venda de produtos considerados inovadores correspondeu a 25% de sua receita em 2010. A Whirlpool não divulga seu resultado financeiro.

Primeiro o problema, depois a solução

O caminho entre transformar uma ideia em um novo produto nas prateleiras das lojas de varejo é longo. Primeiro, a empresa procura desenvolver novidades que tragam um benefício ao consumidor. Depois, avalia se ela está dentro dos valores das marcas. E, por último, estuda a viabilidade econômica. Ao todo, 700 pessoas participam do processo de desenvolvimento de produtos da Whirlpool no Brasil. “Apenas 10% das ideias chega às lojas”, afirma Fioretti.

Para descobrir que benefícios podem agregar ao seu produto, a Whirlpool usa os testes com consumidores em seus laboratórios e pesquisas de opinião. Depois que os clientes citaram em um estudo encomendado pela Whirlpool a prática de descongelar a geladeira como um dos afazeres da casa mais desagradáveis, a empresa passou a perseguir formas de viabilizar aparelhos que não precisam ser descongelados para a classe C. O produto existia apenas em equipamentos de duas portas, que são mais caros. A Whirlpool foi a primeira do mundo a lançar geladeiras de uma porta que não formam uma capa. Hoje, o equipamento produzido nas fábricas brasileiras é exportado para os países da América do Sul.

Com o lançamento de inovações úteis, a empresa tenta evitar que a linha branca vire commodity e que a escolha dos clientes considere apenas o preço menor. “O consumidor é mais que um bolso. Ele quer um produto que satisfaça sua necessidade”, afirma Fioretti.

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