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Mineradora afirma que mina tem localização estratégica na África e é alternativa de qualidade ao produto australiano

A Vale vai começar a fornecer aos seus clientes a partir de outubro, para testes, o carvão produzido na mina de Moatize, em Moçambique, e pretende iniciar a comercialização do produto em grande escala no começo de 2012, segundo o gerente da área de vendas da mineradora brasileira, Marcelo Matos.

A empresa obteve a concessão da mina em 2004 e os direitos minerários em 2007, mas só no ano passado começou a abertura da cava.

"O objetivo é comercializar em grande escala no começo do ano que vem e os testes com o produto com os clientes serão feitos já a partir de outubro", disse Matos em evento do setor de carvão no Rio de Janeiro durante uma palestra.

O executivo informou que o projeto Moatize está localizado em um ponto estratégico da África e por isso pode abastecer os mercados europeu, asiático e brasileiro.

"Moatize está estrategicamente posicionado para fornecer carvão de alta qualidade e é uma alternativa às australianas", afirmou o gerente da Vale.

A primeira fase do projeto prevê uma capacidade de produção e exportação de 11 milhões de toneladas ao ano, sendo 8,5 milhões de toneladas de carvão metalúrgico e 2,5 milhões de toneladas de carvão térmico.

Exportação

Segundo Matos, a produção pode chegar esse ano a 1,5 milhão de toneladas e a perspectiva é de que em 2012 a produção para exportação suba para 6,3 milhões de toneladas.

"Os produtos de exportação vão depender da capacidade logística da região...estamos estudando um 'upside' em Beira, mas enquanto isso não puder ser feito ficamos limitados a uma exportação de 6 milhões (embora a capacidade na primeira fase seja de 11 milhões)", frisou.

A fase 2 do projeto Moatize está prevista para 2014 e haverá uma duplicação da capacidade de produção para 22 milhões de toneladas.

Moatize é considerado um dos principais ativos da Vale na área de carvão e a estimativa é que em 2016 o projeto represente 51 por cento da produção total da mineradora, que estima produzir em 5 anos 40 milhões de toneladas.

A produção de Moatize será escoada por 2 corredores, Beira e Nacala. Uma ferrovia de 575 quilômetros vai levar a produção na primeira fase até o porto de Beira, que tem capacidade para 6 milhões de toneladas ao ano.

Um outro corredor, o de Nacala, contará com um ferrovia de 906 quilômetros que vai interconectar a mina ao porto de Nacala, que terá em 2014, segundo a Vale, capacidade de movimentar 18 milhões de toneladas.

"Ao todo serão 24 milhões de toneladas de capacidade, mais que a nossa capacidade de produção de 22 milhões...mesmo assim, existe grande interesse em aumentar a capacidade do porto de Beira", declarou Matos.

Ele informou que a mineradora brasileira espera ainda em julho obter as licenças para o porto de Nacala e aprovar o projeto na reunião do Conselho de Administração da Vale no encontro do terceiro trimestre.

"Estamos otimistas que o porto não será um gargalo para o projeto", finalizou.

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