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Depois de descumprir acordo com credores, fabricante de papel aposta em aumento das vendas e controle nos custos

Afetada pela alta de custos em meio ao ciclo de investimentos, a fabricante de papel Santher aposta numa melhora dos índices financeiros até o fim do ano.

“Estamos em correção de rota dos indicadores”, diz o diretor financeiro da Santher, Luiz Conrado Sundfeld. “Já tivemos uma sensível melhora de patamar no primeiro trimestre, com margens maiores e aumento de vendas de dois dígitos.”

Dona das marcas de toalhas de papel Snob, papel higiênico Personal e lenços Kiss, a Santher, controlada pela família Haidar, rivaliza acirradamente em um mercado crescente com as empresas como Melhoramentos e Kimberly-Clark.

De acordo com Sundfeld, a Santher sofreu com a alta nos custos de celulose, a matéria-prima usada para a fabricação de papel, que bateu preços históricos em 2010 e, ao mesmo tempo, dificuldades de fazer o repasse deste custo aos preços de vendas.

Desde o início do ano, a Santher, que compra entre 14 mil e 16 mil toneladas por mês de celulose, passou a fazer operações de proteção financeira (hedge) com bancos para evitar a oscilação brusca de preços.

Perdão dos credores

Em maio, a empresa revelou que voltou a descumprir pela terceira vez um acordo com os credores que compraram uma debênture – um título de crédito – no valor de R$ 125 milhões, emitida em junho de 2010.

O dinheiro foi usado para pagar uma dívida antiga que havia sido contraída no mais recente ciclo de investimentos de expansão de capacidade de produção e da entrada em novos segmentos, como fraldas descartáveis. A empresa tinha investido mais de R$ 250 milhões entre 2008 e 2009.

A Santher não tinha conseguido, por exemplo, fazer com que a sua dívida líquida fosse inferior a 3,75 vezes sua geração de caixa no fim de março, o que poderia levar o regaste antecipado destes papéis.

Os credores, liderados pelos bancos Bradesco e Itaú, toparam dar uma perdão. Segundo Sundfeld, a empresa espera agora que os indicadores estejam enquadrados entre o terceiro e o quarto trimestre de 2011.

Em 2010, a empresa registrou receita líquida de R$ 860 milhões, alta de 18%, com prejuízo de R$ 44 milhões, uma piora frente ao lucro de R$ 21 milhões do ano anterior.

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