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No total, o relançamento de licitações possibilitou uma economia de R$ 6 bilhões entre o valor apresentado e o final contratado

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A Petrobras atribuiu o atraso de dois anos nas obras da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, principalmente à necessidade de refazer a maior parte das licitações, por conta de preços elevados. Segundo o diretor de Abastecimento e Refino da estatal, Paulo Roberto Costa, alguns pacotes de equipamentos chegaram a ser licitados até quatro vezes até chegar a um preço compatível com o orçamento da empresa.

No total, o relançamento de licitações possibilitou uma economia de R$ 6 bilhões entre o valor apresentado e o final contratado, disse Costa. Isso, no entanto, não impediu o encarecimento da obra desde o seu projeto inicial. A refinaria deverá custar R$ 26 bilhões, enquanto no projeto básico as estimativas indicavam custo final de US$ 4 bilhões.

"O projeto passou por uma série de análises e é como na construção de uma casa. Quando chega o orçamento final, ele está bem acima do previsto, pelo nível de detalhamento e até de fatos inesperados que aconteceram durante a execução", disse, admitindo, entretanto, que o projeto inicial não sofreu alterações de grande porte.

A principal delas deverá ocorrer se a petroleira venezuelana PDVSA não executar seu aporte na obra. "Se isso acontecer vamos deixar de gastar US$ 400 milhões com a aquisição de equipamento para processar o enxofre, que existe em maior quantidade no petróleo venezuelano", disse. Pelo acordo existente entre a Petrobras e a PDVSA, a refinaria de Pernambuco processaria 230 mil barris por dia, sendo metade da Bacia de Campos e metade vindo da Venezuela.

A diferença entre esses dois tipos de petróleo também obrigou a Petrobras a separar o processamento do óleo, o que encareceu a unidade. Nas refinarias premium do Ceará e do Maranhão, por exemplo, ele acredita que o custo final das unidades deverá ser menor do que os US$ 30 bilhões estimados no projeto básico, porque cada unidade de fabricação poderá processar 300 mil barris por dia em um único trem operacional.

"Isso traz economia para a linha de produção e certamente reduziremos o custo das duas unidades", disse Costa, comemorando que a estatal conquistou o licenciamento ambiental para a instalação da unidade do Maranhão na última semana. Já a unidade do Ceará ainda possui apenas licenciamento prévio. Segundo o diretor, está mantido o prazo até o mês de agosto para que a Venezuela cumpra o acordo e faça o aporte na unidade de Pernambuco.

Em agosto, a Petrobras terá de começar a aportar recursos próprios. "Não seria certo que tirássemos do bolso para fazer o aporte para outras empresas", comentou, destacando que a companhia vai "tocar sozinha a obra", mesmo que a PDVSA não cumpra sua parte no acordo. Dos R$ 26 bilhões de custo total da obra, R$ 16 bilhões serão por caixa próprio e outros R$ 10 bilhões foram provenientes do BNDES. Do total, a companhia já investiu R$ 7 bilhões na unidade e acredita que encerra o valor financiado pelo BNDES até agosto. "Não tivemos retorno do banco se a garantia oferecida pela PDVSA foi ou não aceita pelo banco", comentou.

Ele esquivou-se de responder a jornalistas sobre os prós e contras de ter a PDVSA como sócia no empreendimento. Destacou apenas que, na época em que o acordo foi assinado, em 2005, ainda não havia ocorrido a descoberta do pré-sal e a Petrobras estava interessada na bilateralidade do acordo. Inicialmente, o aporte de 40% da obra que a PDVSA faria na refinaria teria como contrapartida a participação da Petrobras no desenvolvimento do campo de Carabobo, na Venezuela. "Este cenário mudou com o pré-sal, porque a Petrobras até então tinha interesse em conquistar reservatórios no exterior", disse, lembrando que esta parte do memorando já havia sido deixada pra trás.

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