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Sem citar a Chevron, presidenta declara que respeitar regras estabelecidas no setor petrolífero é fundamental

Sem citar o nome da empresa norte-americana Chevron ou o vazamento de petróleo ocorrido na última semana na Bacia de Campos, no norte do Estado do Rio de Janeiro, a presidenta Dilma Rousseff disse nesta quarta-feira (21) que todas as empresas já instaladas e aquelas que quiserem montar bases no país devem cumprir e respeitar todos os protocolos de segurança existentes. A afirmação foi feita durante a cerimônia de posse da nova diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Magda Chambriard , no Rio de Janeiro.

“Protocolos de segurança existem para serem cumpridos. Todas as empresas devem saber disso. Nesta questão, não há exceções. É necessário ficar dentro dos limites de segurança e, algumas vezes, abaixo deles, nunca pressioná-los e nunca ultrapassá-los. As empresas e a ANP têm um papel crucial nisso. Elas devem agir com responsabilidade e ter ações concretas para garantir segurança operacional e a preservação ambiental”, disse a presidenta.

Ainda mirando indiretamente a Chevron, a presidenta Dilma Rousseff criticou o “jeitinho brasileiro” de resolver as coisas. Segundo ela, os brasileiros estão cansados de conviver com ações marcadas por essa prática. Para ela, a população preza pela ética e o respeito às regras que regem a vida em sociedade.

“Naquilo que depender do meu governo, esse será um país onde contratos, regras e acordos serão sempre cumpridos com rigor. Trabalharemos cotidianamente para construir um país em que se respeitam compromissos, se cumpre a palavra empenhada e, sobretudo, se honra a assinatura aplicada em um documento. É por isso que, para nós, respeitar as regras estabelecidas é fundamental. A ANP tem o importante papel de fazer valer os acordos, as regras e as melhores práticas no setor, que é fundamental para o nosso país”, declarou Dilma.

Na terça-feira (20), a ANP solicitou às empresas Chevron, Petrobras e Frade Japão, responsáveis pela exploração petrolífera no Campo de Frade, onde houve o vazamento no último dia 15, o aprofundamento de estudos sobre a área em que foi identificado o afloramento. Um sobrevoo realizado ontem pela Marinha detectou que a mancha da fina camada de óleo na região está diminuindo .

Pré-sal

Durante seu discurso, Dilma afirmou que a alta do preço do petróleo, apesar da recessão na Europa, comprova a importância estratégica do petróleo para o Brasil e para o mundo. "Pela importância da energia para o mundo, o petróleo não é um simples produto. Vemos uma recessão na Europa e nos EUA e o barril chega a US$ 125. Isso significa extrema sensibilidade para questões relativas ao petróleo oriundo do Oriente Médio", disse.

Segundo a presidenta, é preciso ter clareza das condições com que essas descobertas permitem ao Brasil galgar posições na geopolítica global nesse momento em que a exploração do pré-sal ainda está em "regime de cruzeiro", disse. Em sua avaliação, a estabilização das diretrizes para a exploração dessas riquezas será um dos maiores desafios da gestão Magda Chambriard na ANP.

* com informações da Agência Estado

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