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Siderúrgicas seguem a mesma cartilha de encontrar sócio e preparar eventual oferta de ações no mercado

A Usiminas Mineração, empresa recém criada pela siderúrgica com participação de 30% da japonesa Sumitomo, poderá listar suas ações na Bolsa de Valores, mas não há prazo para acontecer. "Se no futuro próximo, se for mais adequado, vamos abrir o capital da empresa na Bolsa de Valores", afirmou nesta quarta-feira o presidente da Usiminas, Wilson Brumer.

A eventual oferta inicial de ações (IPO na sigla em inglês) da Usiminas Mineração deve rivalizar com o mesmo movimento preparado pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que também prevê o lançamento de ações de sua empresa de mineração.

A CSN tem um plano mais adiantado do que a Usiminas contando com a participação da Namisa, empresa com capitais japoneses e coreanos. Em março, o empresário Benjamin Steinbruch anunciou que faria a contratação de bancos para coordenar o IPO da Casa de Pedra, a empresa de mineração, que poderia reunir os ativos da Namisa. A oferta chegou a ser estimada, segundo analistas, em US$ 2 bilhões.

Otimista, Steinbruch esperava fazer o IPO da Casa de Pedra até o dia 30 de junho, justamente no dia de hoje, o mesmo em que a rival Usiminas anunciou o acordo de entrada de um sócio estratégico. No entanto, o plano da CSN não andou em razão das dificuldades do mercado financeiro mundial.

"O IPO é o momento dois. Estamos hoje anunciando o acordo com o parceiro estratégico. (O IPO) pode vir a qualquer momento, mas não deve vir hoje", explicou Brumer. Ele apontou as dificuldades do mercado financeiro atual em razão da crise europeia e dos descontos pagos pelos investidores nas ofertas de ações.

A Usiminas Mineração terá valor total US$ 6,4 bilhões. "Esse é o valor com que o mercado poderá fazer suas projeções e sua precificação", disse Brumer.

A Sumitomo pagou US$ 1,9 bilhão para deter 30% da Usiminas Mineração, empresa que reunirá os ativos de exploração de minério de ferro, participação na empresa de logística ferroviária MRS e um terreno para a construção de um porto em Itaguaí, no Rio de Janeiro.

A injeção de recursos ajudará a empresa desenvolver o projeto de ampliação da exploração da produção de minério de ferro. O plano da Usiminas Mineração, segundo Brumer, é aumentar a produção projetada de 7 milhões de toneladas em 2010 para 29 milhões em 2015, exigindo R$ 4,1 bilhões em investimentos. Cálculos preliminares apontam que a Usiminas Mineração gastaria outros US$ 600 milhões na construção do porto no Rio de Janeiro.

Parceria com a Sumitomo

A Sumitomo tem 500 anos, com negócios nas áreas de mineração, como carvão e outros metais, além de atividades químicas e financeiras. "A atividade mineral requer uma parceria de longo prazo. É alguém que vai desenvolver conosco essa empresa", justificou Brumer.

Pelo contrato, o que exceder as necessidades de minério de ferro a ser utilizado pela Usiminas será vendido preferencialmente para a Sumitomo. Hoje, a Usiminas consome o equivalente a 12 milhões a 14 milhões de toneladas de minério.

Brumer não quis confirmar negociações com o empresário Eike Batista, do grupo EBX, para participar da empresa de mineração, como se aventou. "Analisamos outras possibilidades, mas esse foi o desfecho mais adequado", afirmou.

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