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Petrobras vai aproveitar boa qualidade do óleo para produzir derivados mais nobres, hoje elaborados a partir de insumo importado

O petróleo de Tupi vai ser usado na produção de lubrificantes, afirmou nesta quinta-feira o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa. Atualmente, o Brasil tem de importar todo o óleo destinado à elaboração do produto, porque até então não possuía reservas de petróleo com características ideais para esta finalidade.

Presidente Lula durante início da produção de petróleo da camada pré-sal no Campo de Tupi
Ricardo Stuckert/PR
Presidente Lula durante início da produção de petróleo da camada pré-sal no Campo de Tupi
O óleo do pré-sal da Bacia de Santos é leve e de boa qualidade, parecido com o que é encontrado em países como Arábia Saudita e Iraque. Já o petróleo que hoje é produzido em larga escala no Brasil, a maior parte localizada na Bacia de Campos, é do tipo pesado, que não pode ser usado na produção de derivados mais nobres como lubrificantes.

A Petrobras informou que o bloco exploratório de Tupi já produziu 7 milhões de barris de petróleo desde maio de 2009, quando o navio-plataforma Cidade de São Vicente iniciou o Teste de Longa Duração (TLD). Todo o óleo foi processado pelas refinarias da Petrobras, tornando-se combustíveis como óleo diesel e gasolina para consumo do mercado brasileiro.

“Estamos fazendo testes para transformar o petróleo de Tupi em lubrificantes”, afirmou o diretor Paulo Roberto Costa. A expectativa é tentar produzir lubrificantes a partir de janeiro, quando a o bloco já estará autorizado a produzir em escala comercial. É partir do próximo ano, também, que parte do petróleo poderá ser exportada.

A Petrobras têm direito de ficar com 65% da produção. O restante é dividido entre as sócias BG e Galp, que formaram parceria com a estatal para investir e desenvolver o bloco BM-S-11, que deu origem a Tupi. Até agora a Petrobras não renovou contrato com os sócios de compra do petróleo de Tupi. O contrato de comercialização termina em 31 de dezembro. “Pela legislação, eles podem fazer o que quieserem com a parte deles”.

A Petrobras iniciou nesta quinta-feira o sistema definitivo de produção de petróleo de Tupi, o primeiro bloco desenvolvido no pré-sal de quase seis mil metros de profundidade, na Bacia de Santos. Limitado à fase de testes até dezembro, quando a estatal entregará a declaração de comercialidade à Agência Nacional do Petróleo (ANP), o projeto vai extrair 14 mil barris por dia nos próximos dois meses, a partir do navio-plataforma Cidade de Angra dos Reis. Paralelamente, a Petrobras manterá o teste de longa duração que já extrai na região 14 mil barris por dia em Tupi a partir da plataforma Cidade de São Vicente. Serão produzidos, portanto, 28 mil barris diários até o final do ano.

O volume que será extraído nessa fase de teste é pequeno se comparado à produção brasileira de petróleo, da ordem de 2 milhões diários de óleo. Mas a partir da etapa de produção, quando Tupi passará de bloco exploratório a campo produtor - podendo até mesmo mudar de nome - a produção aumentará para cerca de 75 mil barris diários até o final de 2011, até alcançar a meta de 100 barris por dia em 2012.

Reserva gigante além de Tupi

As reservas de Tupi foram estimadas entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris de petróleo, a maior do País com volume já oficialmente revelado. Mas o título de maior jazida deve ser apropriado por outra jazida nas próximas 48 horas, quando a ANP deverá divulgar o volume estimado para Libra, também localizado no pré-sal de Santos. O bloco deve possuir de 8 bilhões a 16 bilhões de barris, segundo estimativas de consultoria contratada pela própria ANP.

O bloco é da União e deve ser incluído no primeiro leilão de petróleo do pré-sal, por meio do modelo de partilha, se o novo modelo for aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente da República.

Quanto a novas reservas do pré-sal com volumes gigantescos, conforme rumores de mercado, o presidente da Petrobras voltou a descartar. A empresa informa que sequer perfurou os blocos BM-S-45 e BM-S-12, que teriam dezenas de bilhões de barris segundo rumores espalhados pelo mercado. A informação foi negada nesta manhã, em nota ao mercado.

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