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"Estamos negociando com vários interessados entre nacionais e estrangeiros", comentou diretor de Abastecimento e Refino da estatal

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A Petrobras busca sócios para a Petroquímica Suape, que começará a operar sua primeira fase de produção de PTA (ácido tereftálico purificado) no segundo semestre de 2011. Segundo o diretor de Abastecimento e Refino da estatal, Paulo Roberto Costa, a ideia é receber propostas que "valorizem os investimentos de R$ 5 bilhões feitos pela Petrobras" na obra, localizada próximo ao Porto de Suape, a 70 quilômetros de Recife.

"Estamos negociando com vários interessados entre nacionais e estrangeiros, tanto da área têxtil, quanto da área petroquímica", afirmou nesta segunda-feira a jornalistas durante visita ao empreendimento, em Ipojuca (PE). O diretor admite que a companhia tem intenção de voltar a ser sócia minoritária do projeto, como estava previsto.

Inicialmente, a principal sócia da Petroquímica Suape era a Vicunha, que detinha 60% do capital acionário, mas desistiu do negócio em setembro de 2008, no auge da crise econômica mundial. Outros sócios minoritários seguiram o mesmo caminho e a Petrobras, que detinha inicialmente 20% da companhia, acabou assumindo a totalidade da obra. "Não dava para deixar um empreendimento deste porte parar", disse o diretor.

A indiana Reliance, da área têxtil, seria uma das interessadas, segundo fontes do mercado. Outra sócia tida como certa para o empreendimento é a petroquímica Braskem, já que a opção de aquisição da participação pela companhia está em acordos anteriores firmados entre a Petrobras e a Braskem.

Segundo Costa, para a Petrobras interessa se manter na área de PTA, que será a primeira a entrar em operação, importando matéria-prima por enquanto. A intenção é que ela se alimente do paraxileno que será produzido no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) a partir de 2013. No total, a Petroquímica Suape reúne três unidades industriais integradas: uma para produção de PTA, outra para produzir polímeros e filamentos de poliéster (antiga Citepe) e uma terceira, que fabricará resina para embalagem PET.

A parte de filamentos, que eventualmente interessaria a Reliance também deve começar a operar ainda em 2011. Já a parte de PET está prevista para 2012. Segundo o diretor superintendente da Petroquímica Suape, Ricard Ward, quando estiver em operação, a unidade será o mais importante polo integrado de poliéster da América Latina e vai representar 80% do PTA e dos filamentos têxteis consumidos no Estado de São Paulo, hoje importados.

Segundo ele, a empresa já está fazendo o pré marketing e tem cadastro com cerca de 100 clientes da área têxtil para comercializar estes produtos já no final do ano. O diretor Paulo Roberto Costa estima que a Petroquímica Suape representará cerca de US$ 1 bilhão em economia de divisas na balança comercial, pelo volume que deixará de ser importado, não só de PTA, como também poderá contribuir para o atendimento da demanda crescente de PET no mercado doméstico.

"Há uma demanda crescente por PET, por exemplo, que será ainda maior com a chegada dos eventos esportivos (Jogos Olímpicos e Copa do Mundo)", comentou, destacando que a previsão de crescimento de demanda por PET no Brasil é de 9,5% ao ano, enquanto no mundo é de 6% ao ano.

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