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Presidenta Graça Foster prevê menor pressão geopolítica sobre grandes produtores

A Petrobras avalia que a cotação do petróleo perderá força no mercado internacional, o que indica que não haveria necessidade de um reajuste nos preços dos combustíveis no Brasil, afirmou a presidenta da empresa, Maria das Graças Foster, nesta quinta-feira.

"A expectativa que temos é que esse preço seja arrefecido por uma menor pressão geopolítica entre os países grandes produtores de petróleo. Nós não acreditamos que esse pico se transforme em patamar", disse ela, em entrevista ao canal de TV GloboNews.

O petróleo tem tido sustentação principalmente por temores relacionados a uma interrupção da oferta do Irã, que sofre sanções do Ocidente por conta de seu programa nuclear.

Questionada se um conflito poderia levar o petróleo para outro patamar, a executiva admitiu que isso seria possível. Mas acrescentou que talvez a economia global não resista a uma nova alta no mercado.

"Entendemos que a economia no mundo é tão dependente de petróleo que é possível que ela não possa resistir a um patamar tão grande, tão significativo."

A petroleira trabalha com um preço de petróleo de US$ 100 por barril em 2012, abaixo do atual patamar de cerca de US$ 120, disse Graça Foster, como a presidente da Petrobras gosta de ser chamada. No longo prazo, a estatal trabalha com uma cotação entre US$ 80 e 90.

Segundo ela, o que define o preço da gasolina e de outros derivados é a "paridade internacional". "Então, se atingir patamares sucessivos, maiores, chega um determinado momento que tem que repassar, isso é inexorável, não existe a possibilidade de não corrigir o preço da gasolina...", declarou, sem dar detalhes.

A Petrobras tem recebido pressões do mercado para elevar os preços dos derivados num momento em que as importações cresceram fortemente, por conta de uma menor oferta de etanol. Ela afirmou que em fevereiro as compras de gasolina no exterior subiram 33% na comparação com o mesmo mês do ano passado.

A primeira mulher a alcançar o cargo de presidente da Petrobras destacou as grandes descobertas da petroleira e salientou que o mercado deveria observar o portfólio de reservas da estatal, relatando que as jazidas da companhia somam 31 bilhões de barris de óleo equivalente, incluindo as reservas não incorporadas. "Tá na mão 31 bilhões de óleo equivalente."

O volume equivale ao dobro das reservas provadas da Petrobras, na casa de 15 bilhões de barris de óleo.

A Petrobras é a empresa que mais realizou grandes descobertas de petróleo na última década graças ao achado do pré-sal da bacia de Santos, uma nova fronteira que abriga pelo menos 50 bilhões de barris, segundo estimativas conservadoras de analistas e bancos de investimentos.

"A Petrobras tem a seu favor grandes descobertas de petróleo. O mundo acredita no nosso portfólio, é só uma questão de tempo", disse a executiva quando indagada, pela jornalista Miriam Leitão, sobre a queda nas ações da companhia nos últimos tempos.

Graça afirmou ainda que não se opõe a medidas mais severas em favor do meio ambiente pelo governo brasileiro, como por exemplo a possibilidade de limitar a exploração de petróleo nas proximidades do arquipélago de Abrolhos, um santuário ecológico.

Quanto aos prazos de estaleiros para a entrega de sondas e navios, Graça disse que acompanha pessoalmente a situação.

"Da minha sala eu vejo as sondas que chegam na Baía de Guanabara. Comprei até um binóculo para monitorar", disse, com bom humor.

A Petrobras deverá receber neste ano 14 sondas de perfuração encomendadas para fazer frente à exploração do pré-sal.

(Reportagem de Sabrina Lorenzi e Roberto Samora)

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