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SÃO PAULO - As projeções oficiais só devem ser fechadas no fim deste ano, mas as expectativas preliminares da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) apontam para uma desaceleração no ritmo de crescimento do mercado automobilístico brasileiro em 2011 - mantendo, assim, uma aderência com o comportamento da economia

SÃO PAULO - As projeções oficiais só devem ser fechadas no fim deste ano, mas as expectativas preliminares da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) apontam para uma desaceleração no ritmo de crescimento do mercado automobilístico brasileiro em 2011 - mantendo, assim, uma aderência com o comportamento da economia. A expectativa para o ano que vem é de que a expansão nas vendas internas de veículos fique mais próxima da variação do Produto Interno Bruto (PIB), estimada pela entidade em 4,5%. "Não devemos crescer mais de um dígito", afirmou Cledorvino Belini, presidente da associação, durante congresso promovido na capital paulista pela agência AutoData. Para 2010, a estimativa da Anfavea segue em 3,4 milhões de veículos, número que, se confirmado, corresponderá a um incremento de 8,2% sobre 2009 e, possivelmente, garantirá ao Brasil a posição de quarto maior mercado de veículos do mundo, superando a Alemanha. Nas contas da Anfavea - baseadas em previsões divulgadas no país europeu -, o Brasil deverá superar o mercado automobilístico alemão em 200 mil unidades neste ano. Até setembro, a vantagem brasileira era de 134,5 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. À frente do consumo brasileiro, estão apenas a China, os Estados Unidos e o Japão, nesta ordem. Belini tem procurado não traçar números de vendas para os próximos anos, mas enfatizou hoje que a marca de 5 milhões de veículos deve ser uma meta a ser alcançada nos próximos cinco anos. Como desafios a esse objetivo, o executivo citou a necessidade de melhorias em pontos como gargalos em infraestrutura, custo do capital, exportação de tributos e preço de produtos siderúrgicos, considerado elevado pelas montadoras. Na esteira da valorização do real - um tema de grande preocupação do setor industrial -, o presidente da Anfavea apontou que as medidas de apoio à competitividade devem ser uma "agenda importantíssima" para o próximo governo. Em sua palestra no evento, Belini afirmou que os mercados em que o Brasil tem acordos comerciais (Mercosul e México) ainda respondem pela maior parte das importações do país, somando 65% do total. No entanto, as compras de países asiáticos avançam com velocidade. Desde 2006, as compras de veículos da China e da Coreia do Sul cresceram 1.280%, informou. Apesar das preocupações quanto à maior penetração de carros importados no mercado brasileiro e uma realidade menos favorável na demanda externa após a crise financeira, profissionais ligados ao segmento automobilístico estão trabalhando com números otimistas para o próximo ano, conforme indicou uma pesquisa interativa realizada pela AutoData com os participantes do congresso. Para a maioria, o Brasil deverá fechar 2011 com um mercado ao redor de 3,66 milhões a 3,79 milhões de veículos, superando entre 7,9% e 11,4% a estimativa oficial deste ano (3,4 milhões de unidades). Na avaliação de 57% dos participantes, a produção brasileira de veículos alcançará entre 3,7 milhões e 3,8 milhões de unidades no ano que vem. Cabe lembrar que, oficialmente, a Anfavea revisou neste mês a expectativa para a produção de veículos em 2010 para 3,6 milhões de unidades. (Eduardo Laguna | Valor)

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