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Em entrevista ao iG , executivo de gigante japonesa diz n?o achar "normal" aquisic?es de rival da Usiminas

O vice-presidente da siderúrgica japonesa Nippon Steel, Shinichi Taniguchi, fez críticas às recentes movimentações da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) de comprar ações de sua rival Usiminas . “Não é normal acontecer compra de ações por parte de um competidor”, disse Taniguchi, em entrevista exclusiva ao iG .

Em visita ao Brasil para inauguração da nova linha de aços galvanizados da Usiminas em Ipatinga (MG), o executivo japonês de uma das maiores siderúrgicas do mundo afirmou, contudo, que a posição acionária da CSN não interfere nos direitos da Nippon na Usiminas. “Temos um acordo de acionistas que mantém nosso poder no controle da empresa”, explicou Taniguchi.

Desde o início do ano, a CSN passou a comprar ações da Usiminas, consolidando uma participação de 10% das ações com direito a voto (equivalentes a 8% do capital total), o que daria um valor estimado de R$ 2 bilhões em valor de mercado. Apenas no primeiro trimestre, a CSN gastou R$ 800 milhões em compras de ações.

O fato gerou preocupação entre os atuais controladores da Usiminas (além da Nippon Steel, fazem parte do time de acionistas o clube dos empregados e as empresas brasileiras Camargo Corrêa e Votorantim). Eles refizeram o acordo de acionistas a fim de bloquear a entrada da CSN no bloco de controle.

Embora preocupado com a crise do setor de aço, Taniguchi reiterou que está satisfeito com o investimento da Usiminas, dizendo que a empresa é estratégica para o crescimento dos negócios da Nippon Steel nos mercados emergentes, como o Brasil. Para Taniguchi, o empenho é concluir o plano de investimentos da siderúrgica com sede em Ipatinga.

Além da Usiminas, a empresa japonesa também é sócia da CSN na Namisa. A Nippon Steel, juntamente com investidores japoneses e coreanos, possui 40% da mineradora, fatia que pertencia à CSN. Apenas a participação da Nippon Steel é de 6,48% na empresa de mineração criada em 2007. A ideia original da empresa brasileira é abrir o capital da Namisa, o que não ocorreu até hoje, contrariando expectativas dos analistas de mercado.

A Nippon Steel está formando o segundo maior produtor de aço ao unir seus ativos às operações da Sumitomo a partir de 2012.