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Conforme levantamento da Universidade Federal de Uberlândia, participação no PIB caiu de 21%, em 1980, para 15% no ano passado

Entre os países da América Latina, o Brasil é o que apresenta maior recuo na participação da indústria na economia nos últimos 30 anos. A constatação faz parte de um estudo coordenado pelo professor Germano Mendes de Paula, da Universidade Federal de Uberlândia, apresentado pelo presidente do Instituto Latino-Americano de Ferro e Aço (Ilafa, na sigla em espanhol), Daniel Novegil, nesta quinta-feira durante o 22º Congresso Brasileiro do Aço, em São Paulo.

De acordo com o levantamento, a contribuição dos manufaturados no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro caiu de 21%, em 1980, para 15% no ano passado. O percentual é inferior ao verificado em países como México e Argentina, onde a fatia dos manufaturados também diminuiu, porém menos que no Brasil. No México, a indústria, que em 1980 respondia por 18% do PIB, elevou sua participação a 20% em 2000, mas voltou para 18% em 2010.

Já na vizinha Argentina, a contribuição do setor manufatureiro na economia saiu de 21%, em 1980, para 17% no ano passado. "O processo de desindustrialização na América Latina ameaça a qualidade do emprego, devido à baixa exigência educacional", ressaltou Novegil após apresentar os dados. Em sua avaliação, a forte demanda chinesa por matérias-primas está promovendo mudanças na economia desses países, que estão se tornando cada vez mais exportadores de commodities e menos produtores de bens industrializados.

No ano passado, de acordo com o estudo, os países da América Latina acumularam déficit de US$ 95 bilhões em exportações líquidas de manufaturados para a China. Mesmo após se tornar um grande provedor de produtos industrializados não só para a América Latina, mas para todo o mundo, o gigante asiático indica que continuará avançando.

A expectativa é de que, em 2011, o consumo de aço na China cresça 5%. No ano passado, o consumo per capta do produto no país foi de 430 quilos, consideravelmente acima dos 105 quilos contabilizados na América Latina. A justificativa para tal diferença, segundo Novegil, está na importância da indústria para cada parte.