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Maior empresa de carroceria de ônibus do País diz que não perde com popularização da aviação e planeja retomar operações na Rússia

Nem mesmo o recente movimento das companhias aéreas brasileiras de incentivar as pessoas a trocarem o ônibus pelo avião está intimidando a Marcopolo, maior empresa de carroceria e componentes de ônibus do Brasil. José Rubens de la Rosa, diretor-geral da companhia, afirma que as pessoas estão viajando no País e mesmo que optem pelo avião, o ônibus acaba sendo útil durante toda a estadia para que elas possam se locomover.

Segundo ele, o que deve ocorrer é uma transformação na demanda da utilização ônibus. “Não estamos preocupados com a iniciativa de algumas empresas aéreas, pois o aumento de volume de viagens acaba beneficiando todos os setores, inclusive o nosso. Quando viajam, normalmente, as pessoas dependem muito do ônibus para se movimentarem”, disse Rosa.

A iniciativa de algumas companhias de aviação brasileira inclui, por exemplo, parcerias com redes varejistas para venda de passagens aéreas. A TAM firmou recentemente uma parceria com as Casas Bahia , a Azul planeja vender suas passagens em supermercados e a Gol quer abrir franquias de ruas até 2011 para comercializar seus bilhetes. Todas têm um único objetivo: atingir a classe C.

Ônibus ainda será muito utilizado mesmo com a popularização do setor de aviação
(Divulgação)
Ônibus ainda será muito utilizado mesmo com a popularização do setor de aviação

Os resultados apresentados pela Marcopolo nesta semana refletem o bom momento que o setor vive atualmente. Com lucro líquido alcançado de mais de R$ 148 milhões nos seis primeiros meses do ano, a companhia superou os números de 2009, quando o ganho foi de R$ 136,5 milhões.

A companhia planeja produzir 26,5 mil ônibus este ano e com a Copa do Mundo, em 2014, e a Olimpíada, em 2016, elevar ainda mais a produção. “Foram mais de mil ônibus destinados à Copa da África do Sul. Os eventos esportivos dos próximos anos no Brasil devem aquecer ainda mais a nossa produção”, afirmou Rosa. O executivo ainda não sabe mensurar quanto a companhia planeja crescer nos próximos anos. No ano passado, a empresa produziu 19,4 mil unidades.

A receita líquida da Marcopolo deve chegar a R$ 2,8 bilhões este ano, segundo previsão da companhia. Em 2009, a empresa faturou cerca de R$ 2 bilhões, 18% a menos que no ano anterior.

A crise econômica global afetou os negócios da empresa no último ano e obrigou a companhia a encerrar suas operações em Portugal e na Rússia. A intenção era diminuir gastos e sentir menos os efeitos do colapso econômico. “Um dos objetivos da Marcopolo para os próximos anos é retomar nossas operações na Rússia e explorar melhor o sudeste asiático”, afirmou Rosa.

A companhia agora está concentrada em consolidar suas investidas mais recentes no Egito e na Índia. A Marcopolo possui quatro fábricas do Brasil e outras sete no exterior. A participação da empresa no mercado brasileiro é de mais de 45%; no mundo a participação é de 6%. Para o próximo ano, a companhia planeja elevar para 8% sua participação global no setor de carrocerias e componentes para ônibus.

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