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Ganhos da companhia cresceram 33,6% no terceiro trimestre e investimentos devem dobrar no ano que vem

A Suzano Papel e Celulose divulgou nesta quinta-feira alta de 33,6% no lucro líquido do terceiro trimestre na comparação anual, com crescimento da receita e impacto positivo do resultado financeiro.

A empresa deve investir até R$ 1,1 bilhão em 2011, mais que o dobro do orçamento deste ano.

Após sucessivos aumentos da celulose no primeiro semestre e uma acomodação mais recentemente, que ajudaram a ampliar a receita da companhia, o presidente da Suzano, Antonio Maciel Neto, afirmou que a tendência é de estabilidade de preços para os três principais mercados --China, Europa e Estados Unidos.

"O cenário mais provável para novembro é de estabilidade", disse o executivo a jornalistas, acrescentando que a demanda por celulose costuma ser forte na China no quarto trimestre.

A Suzano teve lucro líquido de R$ 272,8 milhões de julho a setembro, contra R$ 204,3 milhões no mesmo período do ano passado e acima da média da previsão de analistas consultados pela Reuters de ganho de R$ 240 milhões no período.

A alta no lucro foi influenciada, entre outros fatores, por "impactos positivos do resultado financeiro e das variações monetárias e cambiais de R$ 217,4 milhões, registrados em função da apreciação do real em relação ao dólar ocorrida no trimestre", segundo a companhia.

A receita líquida da Suzano de julho a setembro totalizou R$ 1,158 bilhão, alta de 30,1% sobre um ano antes.

A Suzano produziu 680 mil toneladas de papel e celulose de mercado no trimestre. A produção total subiu 3 por cento na comparação anual e caiu 3,6 por cento frente ao segundo trimestre deste ano, pela parada de manutenção programada na fábrica em Mucuri (BA).

O volume trimestral de vendas foi de 675 mil toneladas, sendo cerca de 390 mil toneladas de celulose e 285 mil toneladas de papel, com ligeira queda em celulose e alta em papel contra um ano atrás.

A participação da Ásia entre os mercados consumidores de celulose da Suzano caiu entre o segundo e o terceiro trimestres, de 36,7% para 25,8%, enquanto para a Europa subiu de 38,3% para 43%.

A geração de caixa trimestral medida pelo Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de 408 milhões de reais, com margem de 35,2%. No terceiro trimestre de 2009, o Ebitda foi de R$ 218 milhões, com margem de 24,4%.

Investimentos

Os investimentos de até R$ 1,1 bilhão no ano que vem pela empresa serão divididos entre manutenção, florestas para as futuras fábricas de celulose no Maranhão e Piauí e o início dos investimentos industriais da unidade maranhense, prevista para entrar em operação no segundo semestre de 2013.

A companhia deve investir de R$ 350 milhões a R$ 400 milhões em manutenção, de 100 milhões a 150 milhões de dólares em florestas mo Maranhão e Piauí e de 200 milhões e 250 milhões de dólares em uma parte industrial na unidade maranhense.

Em 2010, a companhia deve fechar o ano com investimentos de R$ 500 milhões, principalmente em manutenção.

O presidente da Suzano disse que a engenharia básica da unidade maranhense já está concluída e que a partir de 2011 a empresa inicia a contratação de equipamentos para a fábrica.

"Já conversamos com fornecedores sobre tecnologias, mas ainda não temos preços", afirmou.

Maciel comentou ainda que a Suzano já conversa com instituições financeiras como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Banco do Nordeste a respeito de financiamentos, mas nada está definido.

Em setembro, a companhia anunciou a elevação da previsão de investimentos das unidades do Maranhão e do Piauí de 1,8 bilhão para 2,3 bilhões de dólares cada, enquanto a capacidade será elevada da estimativa inicial de 1,3 milhão para 1,5 milhão de toneladas de celulose por ano.

De acordo com Maciel, a ampliação da unidade de Mucuri deverá ocorrer apenas após a inauguração das duas novas unidades. A fábrica do Piauí deve entrar em operação em 2014.

Maciel afirmou ainda que não comenta especulações de que a Suzano poderia investir em uma fábrica em Moçambique. "Não falamos de locais (para a terceira fábrica da Suzano), nem se é no Brasil ou fora... Estamos estudando várias possibilidades."

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