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Leopoldo, designer: "moda em Toritama é a do mundo"

Grandes e pequenos fabricantes convivem em harmonia no município pernambucano, que abastece de roupas cidades de todo o País

Sílvia Leitão, especial para o iG, de Toritama (PE) |

Barata, mas de excelente qualidade. Popular, mas com diferença de preço de até dez vezes, a depender do local da revenda. Justa, larga, envelhecida, blue jeans, com tachas, trabalhada no brilho, para homens, mulheres, meninos, meninas. Em Toritama, no Agreste de Pernambuco, uma compra de jeans pode ser feita nos tabuleiros das feiras, nos abarrotados corredores do Parque das Feiras ou ainda nas boutiques, talvez com uma nova etiqueta e valendo bem mais. Nas ruas dos municípios vizinhos de Caruaru e Santa Cruz do Capibaribe, a oferta também é diversificada. Afinal, que moda é essa?

Carlos Cajueiro
O estilista Leopoldo Nóbrega: para ele, ainda falta identificação do público com a moda local
O estilista recifense e produtor do 9° Festival de Jeans, Leopoldo Nóbrega, radicado na região há oito anos, já morou nas três cidades mais significativas do mercado de confecção pernambucano. “A moda que circula aqui em Toritama é a do mundo", diz ele. Mas ainda falta aceitação do público, que, segundo o estilista, não dá espaço para uma regionalização do que se produz na região. "Não vejo identidade, apenas qualidade de lavanderia. E não é um problema restrito do mercado local”.

A história do mercado da moda em Toritama começou em meio a uma crise da fabricação de calçados. Como era tudo muito artesanal, ainda na década de 70, com a chegada de novas tecnologias, como as versões emborrachadas, a força daqueles produtos foi se esvaindo. O empresariado renasceu com a confecção.

"Bênção de Deus"

“Acho que foi uma bênção de Deus", diz o empresário Edson Tavares, do grupo Mamute Confecções, que acredita que nada é por acaso na região. "Parece um casamento entre os municípios. Se aqui o jeans é forte, em Santa Cruz do Capibaribe o peso da produção está nos biquínis e nas lingeries”, afirma.

Enquanto apenas uma das marcas do grupo Mamute Confecções produz, a cada dois meses, uma nova coleção para mais de 700 clientes cadastrados, às portas de muitas casas, homens e mulheres, com ou sem amadorismo, também arregaçam as mangas para abocanhar uma fatia do mais atraente mercado do Agreste de Pernambuco.

Nesse mercado, os grandes convivem em harmonia com os pequenos fabricantes. Nas famosas e agitadas terças-feiras, dia mais importante da feira, são 12 mil pontos em funcionamento em Santa Cruz do Capibaribe, o mesmo número em Caruaru e pouco mais de dois mil em Toritama. Uma empresa pequena pode faturar em média R$ 16 mil por mês, enquanto uma maior, fabricando 20 mil peças por mês, pode ter faturamento de R$ 800 mil mensais.

Para Edilson Silva, de 41 anos, Wagner José da Silva, de 28, e Isaque Alexandre Neto, de 19, o trabalho começa sempre de manhã cedo e, de segunda a sábado, não tem hora para acabar. “Há oito anos trabalho em casa, fabricando mil peças por mês. Mas, do início da costura até o acabamento e lavagem, são 30 dias para nosso produto chegar às bancas, passando pelas mãos de vários parceiros, que também fazem o serviço de forma doméstica”, explicou Edilson.

Divulgação
Edson Tavares, do Grupo Mamute: projeto de redução do volume de dejetos da empresa foi premiado
Falta trabalhador

As expectativas para os próximos anos são as melhores. “A nossa meta de crescimento é de 40% e a mão-de-obra local está bastante escassa. Em qualquer fábrica, encontra-se uma placa de ‘procura-se costureira’. Na nossa confecção, 60% dos 190 funcionários da confecção são de fora da cidade. O nosso desafio agora nos próximos dez anos é a falta d’água, já que, para cada peça lavada, são necessários entre 60 e 80 litros”, alerta Edson Tavares, do grupo Mamute.

Há anos castigado com os dejetos de lavanderias, o Rio Capibaribe ganhou atenção especial do empresariado. Antes de 1999, havia um descarte de 300 mil litros d’água diários, o que correspondia a um volume entre seis e nove milhões de litros mensais de dejetos no rio. Depois de três ou quatro meses, o leito do Rio Capibaribe ficava tomado por uma tonelada de argila empedrada e linha. Com intermediação da Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe) e uma entidade alemã, a lavanderia de Tavares mudou esse cenário, tornando-se referência. O processo de redução de dejetos já foi repassado a outras lavanderias.

Em 2009, o grupo Mamute recebeu o prêmio nacional Inovar, patrocinado pelo banco HSBC e pelo Sebrae, que destacou dez empresas no Brasil que tinham um projeto ambiental de relevância em seu ramo de atuação. O da empresa foi o único entre as lavanderias e também na indústria do jeans.

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