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Companhias não chegaram a um acordo sobre o preço que a Vale deverá pagar para exercer sua opção de compra de 24,5% no projeto

A Vale e a Aquila Resources terão de chegar a um compromisso sobre quanto a Vale deve pagar à Aquila por sua participação em um projeto australiano multibilionário de carvão, depois de a Vale perder o processo nesta segunda-feira.

As duas companhias não chegaram a um acordo sobre o preço que a Vale deverá pagar para exercer sua opção de compra de 24,5% no projeto de carvão coque em Belvedere, com a Aquila estimando o custo em 2,8 bilhões de dólares australianos (US$ 3 bilhões).

Três corretoras no ano passado estimaram que a fatia da Aquila valia entre 300 milhões e 455 milhões de dólares australianos.

A Vale, segunda maior mineradora do mundo, detém 75,5% do projeto e disse um ano atrás que planejava exercer sua opção de compra da participação da Aquila pelo um "valor justo de mercado".

A Vale contratou o Citi para fazer a avaliação, enquanto a Aquila chamou a RBC Capital Markets, mas nenhuma das companhias divulgou seus números finais.

As duas avaliações apresentavam uma variação de mais de 10% e, pelo acordo de joint venture entre as companhias, seria necessário indicar uma terceira parte para chegar a nova avaliação.

A Vale recorreu à Corte Suprema de Queensland questionando a avaliação da RBC, alegando que ela havia superestimado o valor do carvão que poderia ser extraído da reserva e por não ter incluído o custo de extrair gás do carvão.

A Vale argumentou que um compromisso de avaliação não seria necessário, mas a Justiça questionou os pontos levantados pela mineradora brasileira.

"Por estas razões, a petição será cancelada", disse o juiz Philip McMurdo em seu julgamento, em texto divulgado no site do tribunal.

A Aquila suspendeu negócios com suas ações nesta segunda-feira à espera da decisão da Justiça e disse que espera que o anúncio sobre o assunto venha antes do início das negociações em 22 de junho.

A ações da Aquila foram negociadas pela última vez em 7,35 dólares australianos. O papel chegou até a máxima de 10,16 dólares australianos na esteira da crescente demanda por carvão para fabricação de aço.

A Vale vem buscando expandir sua posição em holdings de matéria-prima para siderurgia na Austrália, como carvão e possivelmente minério de ferro.

Nem a Aquila ou a Vale fizeram comentários sobre as especulações de que a brasileira pode ampliar participação nos ativos.

Um estudo preliminar do projeto de Belvedere indica que a mina inicialmente pode produzir 3,5 milhões de toneladas de carvão por ano e, eventualmente, dobrar para 7 milhões de toneladas, com uma estimativa de vida útil de 30 anos.

A batalha legal aumentou a tensão entre as duas companhias, que também estão disputando sobre o orçamento de sua joint venture no projeto de carvão coque Eagle Downs.

A Aquila disse que a Vale propôs que o programa de capital inicial do projeto seja condicionado a um estudo de viabilidade a ser entregue e a uma decisão dos participantes sobre o início da mineração.

A Aquila quer um esclarecimento sobre se o estudo de viabilidade do projeto incluiria o porto e logística ferroviária.

O projeto de carvão da Eagle Downs, igualmente dividido entre a Aquila e a Vale, é estimado em 1 bilhão de dólares australianos, e poderia responder por até 4 milhões de toneladas das exportações de carvão para siderurgia por ano.

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