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BRASÍLIA - A indústria nacional de telecomunicações não acompanha os padrões tecnológicos de ponta explorados pelo mercado internacional, informou o "10º Boletim Radar: Tecnologia, Inovação e Comércio Exterior", divulgado hoje pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)

BRASÍLIA - A indústria nacional de telecomunicações não acompanha os padrões tecnológicos de ponta explorados pelo mercado internacional, informou o "10º Boletim Radar: Tecnologia, Inovação e Comércio Exterior", divulgado hoje pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O levantamento destaca que este quesito é fundamental para o país seguir as tendências tecnológicas mundiais e se inserir no mercado competitivo de telecomunicações. O artigo "Diferença de escala no mercado de equipamentos de telecomunicações" aponta que existe uma forte dependência da importação de componentes eletrônicos, que têm importância crescente no valor agregado dos produtos. "O Brasil ainda é muito pouco envolvido na determinação de padrões tecnológicos", afirmou um dos autores do artigo, Luis Claudio Kubota. Também assinaram a publicação os pesquisadores Edson Domingues e Daniele Nogueira Milani. Para os pesquisadores do Ipea, a produção nacional apresenta "características ambíguas". Por um lado, a indústria de informática e o setor de telecomunicações tem indicadores de inovação e de esforço tecnológico mais elevado que a média, devido à proteção dada pela Lei de Informática e os ganhos obtidos no passado com os incentivos do antigo sistema de compras da Telebrás, por outro, as empresas nacionais não participam do desenvolvimento de novos padrões de tecnologia - como o LTE, sistema de transmissão da quarta geração (4G) da telefonia móvel. Na Europa, o mercado é direcionado para caminhos tecnológicos ainda não explorados com a condução de pesquisas em universidades e estímulo à geração de patentes, que é usada como barganha na indústria. Já no Brasil, os fornecedores têm pouco contato com o trabalho no meio acadêmico e as tecnologias estratégicas para a cadeia produtiva vêm de outros países. O levantamento ressalta que, anualmente, a receita média das líderes estrangeiras é de R$ 2,4 bilhões por empresa, com 3,3% da receita líquida das vendas em atividades inovadoras. As principais empresas nacionais faturam, em média, R$ 24 milhões por ano, com destinação de 6,5% da receita líquida das vendas em atividades inovadoras, o que ainda não se mostrou suficiente para atender à necessidade do país. Entre os principais desafios destacado pela publicação estão as dificuldades enfrentadas pelas empresas para obterem bons resultados financeiros investindo em inovação e alcançarem escala de produção. Essas dificuldades são justificadas, em parte, devido à concorrência dos produtos de baixo custo fornecidos pelas concorrentes - em especial, os fabricantes chineses. (Rafael Bitencourt | Valor)

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