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Pressionada pela desaceleração da atividade econômica e pelo avanço dos produtos importados, a indústria brasileira de transformação deverá reduzir seus investimentos este ano, menos em inovação

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Pressionada pela desaceleração da atividade econômica e pelo avanço dos produtos importados, a indústria brasileira de transformação deverá reduzir seus investimentos este ano, menos em inovação. Levantamento da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) indica que os investimentos das empresas do setor deverão somar R$ 167,15 bilhões, o que representará redução de 4,7% em relação aos R$ 175,4 bilhões de 2010. Os recursos para a inovação de processos e produtos, no entanto, deverão crescer 16,6%, de R$ 17,4 bilhões, no ano passado, para R$ 20,3 bilhões, agora. As projeções têm como base uma pesquisa feita com 1.220 empresas com fábricas em todo o País. Desse total, 33% disseram que não pretendem fazer nenhum investimento em 2011. O número é consideravelmente maior que o do ano passado, quando só 23,6% declararam que não fariam investimentos. O investimento em máquinas e equipamentos ainda é a principal parcela dos investimentos empresariais. Deverá representar 73% do total previsto para 2011, apesar da redução de 7,3% no valor, de R$ 133,1 bilhões para R$ 122,4 bilhões. Também deverá haver queda de 8,2% dos investimentos em gestão e de 1,5% em pesquisa e desenvolvimento. "As empresas adotaram estratégias mais defensivas em 2011, voltando-se mais para a eficiência produtiva em detrimento da expansão", diz o diretor do departamento de competitividade e tecnologia da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, coordenador do trabalho. Os empresários reclamam do aumento dos juros, da excessiva valorização do câmbio e da elevada carga tributária, entre outros fatores que encarecem o custo de produção no País e favorecem as importações. Se em 2003 os produtos importados eram responsáveis por 12,5% do consumo interno brasileiro, em 2010 essa parcela quase dobrou, para 21,8%, frisa Roriz. <b>Diferenciação</b> No setor de couros e calçados, a diferenciação parece ser a única opção, pois concorrer com os importados via preço é cada vez mais ineficaz para o produto brasileiro. "Só não abandonamos os investimentos em inovação", diz o empresário Wayner Machado da Silva, sócio diretor da Free Way Calçados e dono do Curtume Tropical, de Franca (SP). "Essa é a área que hoje garante a empresa em funcionamento." A busca de produtos mais baratos deu lugar ao desenvolvimento de novos produtos. Apesar da sobretaxa de US$ 12,85 o par, os calçados chineses continuam a entrar no Brasil, por meio de operações ilegais de triangulação com países como o Vietnã. <b>Destaques</b> Os setores de papel e celulose, açúcar e álcool e mobiliários são os que mais devem ampliar seus investimentos em 2011, segundo levantamento da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Por contarem com vantagens naturais do território brasileiro, e também porque fizeram importantes investimentos em inovação e tecnologia, esses setores apresentam menor expansão de penetração de importados. No setor de papel e celulose, por exemplo, os importados representaram 10,7% do consumo em 2010. Já em máquinas e equipamentos, a parcela dos importados atinge quase 50% do consumo brasileiro. "Os fabricantes de papel e celulose vão continuar investindo, até porque têm perspectivas de exportação extremamente favoráveis", avalia José Ricardo Roriz Coelho, diretor da Fiesp. Já a indústria de móveis vai investir mais porque o faturamento foi turbinado pelo programa Minha Casa, Minha Vida e pelo boom da indústria imobiliária. "Quem compra casa nova, também compra móveis", diz Roriz. No setor de açúcar e álcool, projetos que tinham sido adiados na crise mundial agora estão sendo retomados. As informações são da edição de domingo do jornal <i>O Estado de S.Paulo</i>.

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