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No acumulado de 2011, o saldo continua positivo, em 17 mil novos postos; produção de calçados emprega 364 mil pessoas no Brasil

Maio é tradicionalmente o mês em que a indústria de calçados prepara-se para atender à demanda do verão, já que 60% das vendas do ano concentram-se no segundo semestre. Neste ano, entretanto, o saldo de empregos do setor ficou negativo no mês. Maio registrou 3.417 demissões a mais do que contratações. O dado contrasta com o de maio do ano passado, em que a indústria gerou 1.540 novas vagas.

No acumulado de 2011, o saldo continua positivo, em 17 mil novos postos, mas é bastante inferior à geração de empregos de janeiro a maio de 2010, de 44 mil vagas. Hoje, a produção de calçados emprega 364 mil pessoas no Brasil. A Associação Brasileira de Indústrias de Calçados (Abicalçados) culpa a entrada de produtos chineses pela perda de empregos no país. Desde março do ano passado, depois de um processo antidumping, os calçados da China passaram a ter o ingresso taxado no Brasil.

Os fabricantes, entretanto, afirmam que a indústria chinesa dribla a norma por meio de triangulação. Segundo a denúncia, a China envia a sola e cabedal (parte de cima do sapato) para serem montados em outras regiões e no Brasil ou simplesmente modificam o país de origem na etiqueta. A triangulação, segundo os dados da Abicalçados, é feita por meio de outros países asiáticos.

De janeiro a maio de 2011, na comparação com o mesmo período de 2010, a importação de calçados da China cresceu apenas 2% em valor, enquanto o ingresso de produtos da Indonésia cresceu 125%; do Vietnã, 46% e de Hong Kong, que a associação afirma não ter fábrica de sapatos, avançou 207%. Até o ano passado, segundo a Abicalçados, a triangulação concentrava-se em calçados esportivos e infantis.

Desde o início do ano, entretanto, o setor percebe uma extensão para sapatos femininos, principalmente, botas. No total, as importações de calçados foram de janeiro a maio deste ano 47% superiores às do mesmo período de 2010. "A economia europeia piora com a Grécia, os EUA não geram emprego e o Brasil sobra como a bola da vez para desovar os estoques que sobraram no mundo", considera o presidente da Abicalçados, Milton Cardoso.

Com base no argumento da triangulação, a Abicalçados abriu um processo no Departamento de Defesa Comercial (Decom) em janeiro. A associação foi informada, entretanto, de que ainda não foi possível iniciar a investigação porque o Ministério da Fazenda não liberou dados de importação. "Até agora não estamos vendo sinais concretos de que o governo vai reagir", lamenta Cardoso, acrescentando que há sinais claros que haverá mais um saldo negativo de empregos em junho. "Muitas fábricas já estão concedendo férias antecipadas e licenças a seus funcionários".

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