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Carga tributária e infraestrutura são problemas a serem resolvidos; para o ministro, não dá para sonhar com melhora no câmbio

A indústria é hoje o segmento mais ameaçado da economia brasileira, segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel. Durante o 22º Congresso Brasileiro do Aço, em São Paulo, o ministro destacou o impacto negativo do câmbio no setor, comentando que a atual taxa não é adequada para o país, mas que ela "não depende da nossa vontade."

"Essa taxa de câmbio tem a ver com a política monetária dos Estados Unidos, que é expansionista, quase com irresponsabilidade, e está impactando negativamente o câmbio no mundo inteiro, especialmente nos emergentes. E isso não vai mudar no curto prazo. Não podemos ficar sonhando com uma taxa de câmbio muito diferente dessa. Não está aí nossa salvação", argumentou.

Para Pimentel, o Brasil precisa enfrentar suas debilidades de infraestrutura e carga tributária. Ele voltou a afirmar que, até a virada do semestre, será lançada a nova Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), rebatizada de Programa de Desenvolvimento da Competitividade, que deverá incluir desonerações, incentivos à inovação e à compra de bens de capital, além de um reforço às linhas de financiamento à exportação.

Câmbio

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior alertou ainda para uma "falsa impressão de prosperidade" que está tomando conta do Brasil. "O Brasil está vivendo um momento perigoso. Estamos com uma falsa impressão de prosperidade, trazida pelo câmbio extremamente desequilibrado", ressaltou ao participar do 22º Congresso Brasileiro do Aço, em São Paulo.

"Não podemos achar que como a nossa moeda compra muito dólar todos os problemas estão resolvidos. Não estão. Precisamos recuperar competitividade, resolver os gargalos de infraestrura", acrescentou.

Para o ministro, o real deverá continuar valorizado por um período indeterminado, devido à entrada de capital financeiro - que não deve diminuir - e à balança comercial. "O que o governo tem feito [para minimizar o desequilíbrio cambial] - e acho que tem feito bem - é lançar medidas. Mas o máximo que se consegue é manter esse patamar. Voltar a R$ 3 por dólar, não vai", comentou Pimentel.

Juros

De acordo com Pimentel, o aumento de juros promovido neste semestre foi necessário "para afastar a ameaça inflacionária que estava posta na virada do ano". Para o segundo semestre, o ministro se diz otimista. "Hoje, a ameaça inflacionária está atenuada, se não totalmente afastada, o que me enche de esperança de que no segundo semestre possamos retomar o caminho de crescimento econômico com mais tranquilidade", afirma.

Questionado sobre as previsões de novos aumentos na taxa Selic, Pimentel respondeu que este assunto é de competência do Banco Central, mas ressaltou que "como ministro da Indústria, eu acho que não precisa de aumento de juros". PIB Em relação aos resultados do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), o ministro afirma que o país está "no caminho certo". "Já retomamos o caminho do crescimento sustentável", comentou.

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