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Ministros do Brasil e da Argentina negam ruptura da integração entre os dois países, após chegarem a acordo sobre importações

O ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel e a ministra da Indústria da Argentina, Debora Giorgi, negaram, há pouco, que as relações bilaterais tenham sido abaladas. Segundo Pimentel, é natural que haja "ruídos" numa corrente de comércio que já envolveu US$ 15 bilhões entre janeiro e maio.

"Nunca houve crise, ruptura ou descontinuidade nas relações políticas e diplomáticas entre Brasil e Argentina", afirmou Pimentel, destacando que vem da Argentina metade dos automóveis importados pelo Brasil. Ele afirmou que a adoção de licença não automática para veículos não foi só para o país vizinho, mas em geral porque esse tipo de importação está prejudicando o mercado interno.

"Guerra comercial, de maneira nenhuma", afirmou a ministra argentina. "A integração Brasil-Argentina é um caminho que chegou para ficar", continuou ela, destacando que um comércio tão grande acaba tendo "atritos". "Argentina é o primeiro destino de manufaturados brasileiros", disse, afirmando ainda que, até abril, a balança comercial com o Brasil era deficitária em cerca de US$ 1 bilhões para os argentinos.

A ministra disse ainda que o sistema de licença não automática não atinge "nem 20%" das exportações do Brasil para o país vizinho, "um pequeno universo". Giorgi informou que calçados, têxteis, maquinário e alimentos brasileiros são os setores com maiores dificuldades para entrar em seu país, "mas isso não representa nem 0,3% da pauta geral", comentou.

Ao anunciar acordo de "agilização" das licenças não automáticas para ambos os lados, os ministros, porém, não precisaram em quanto tempo a liberação, que não deve passar de 60 dias, será encurtada. Também não assinaram qualquer documento. Pimentel acenou com a possibilidade do BNDES financiar caminhões argentinos, feitos com autopeças brasileiras. Tal negociação foi iniciada há algum tempo. 

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