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Depois de vender sua participação na Aracruz em 2009, banqueiro compra 20% de empresa florestal com projeto no Tocantins

O banqueiro Joseph Safra: de volta aos projetos de celulose
AE
O banqueiro Joseph Safra: de volta aos projetos de celulose
O grupo Safra, ex-acionista da Aracruz, está voltando ao setor de celulose.

O banqueiro Joseph Safra está concluindo a compra de cerca de 20% do projeto Eco Brasil Florestas, do empresário Osmar Zogbi, ex-dono da Ripasa. Além dele, os investidores do fundo de private equity Brasil Sustentabilidade, que tem participação do BNDES, estão adquirindo outros 20% da empresa florestal.

O negócio, avaliado em R$ 160 milhões, deve ser anunciado nos próximos dias, segundo apurou o iG .

O plano da Eco Brasil Florestas é plantar cerca de 80 mil hectares de eucaliptos no norte de Tocantins. As árvores estarão prontas para serem cortadas a partir de 2016, caso se decida erguer uma fábrica de celulose que poderá ter capacidade de 1,5 milhão de toneladas por ano.

Procurado, o grupo Safra não quis comentar o assunto. Os gestores do fundo de private equity não responderam aos pedidos de entrevista. Em conversa por telefone com o iG, Osmar Zogbi não quis confirmar as negociações.

O investimento marca um reposicionamento do banqueiro no setor de celulose – o negócio não tem relação com as atividades do banco.

O setor é considerado de alta rentabilidade no Brasil, onde se destacam projetos competitivos em razão da alta produtividade do eucalipto frente aos produtores do Hemisfério Norte.

Joseph Safra, um dos brasileiros mais ricos do mundo, era sócio da Aracruz até 2009. Ele tinha 28% das ações ordinárias. Inicialmente, o banqueiro faria parte do bloco de controle com a Votorantim da gigante de celulose que uniria as operações da Aracruz com VCP, empresa que veio a se chamar Fibria.

Mas a crise financeira de 2008 estourou, e a Aracruz teve prejuízos bilionários com operações com derivativos (aplicações financeiras arriscadas com câmbio). No rearranjo societário para formação da gigante de celulose, Safra vendeu sua participação na Aracruz por R$ 2,7 bilhões e saiu do setor de celulose. O BNDES entrou no lugar e ajudou a criar a Fibria com a Votorantim.

O investimento é o primeiro feito pelo fundo Brasil Sustentabilidade, gerido pela Latour Capital e a BRZ Investimentos. Com cerca de R$ 400 milhões de capital, o fundo tem foco em projetos de mecanismo de desenvolvimento limpo (MDL), ligados ao Protocolo de Kyoto. O BNDES tem quase metade do capital.

A Eco Brasil Florestas foi criada em 2007 por Zogbi depois de o empresário ter cumprido o período de quarentena que impedia sua volta ao setor de papel e celulose depois da venda da Ripasa aos grupos Suzano e Votorantim, em 2005.

A empresa já investiu cerca de R$ 120 milhões na compra de terras e plantio de eucaliptos. Já deu início aos trabalhos de Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (Eia-Rima), que deve ficar pronto em 2013.

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