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Estoque alto faz Usiminas buscar mais exportação

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO (Reuters) - A Usiminas está trabalhando com um cenário de queda no volume de vendas de aço no Brasil no segundo semestre, diante dos elevados estoques acumulados pela cadeia produtiva na primeira metade do ano. Mas a empresa mantém projeção de vendas totais e preços maiores em 2010, apostando agora em mais exportações.

A maior produtora de aços planos do país estima vendas de cerca de 7 milhões de toneladas este ano, 24,5 por cento acima do vendido em 2009.

Segundo o vice-presidente de negócios da Usiminas, Sérgio Leite, o primeiro semestre foi marcado por importações elevadas de aço pelo Brasil, de 1,5 milhão de toneladas, que criaram dificuldades como clientes sem espaço para estocar mais material no terceiro trimestre.

Na quarta-feira, o Instituto Aço Brasil (IABr), representante das siderúrgicas, comentou que grande parte dessas compras de produto foi especulativa e previu um recorde de importações este ano.

Leite afirmou que o nível atual de preço de aço importado em São Paulo está 30 por cento mais barato que o material produzido no país, contra diferença de 40 a 50 por cento no final de 2009.

Apesar da desvantagem de preço do aço nacional em relação ao importado, a Usiminas está negociando com todos os clientes aumento de preços de 3,5 a 6 por cento a partir de agosto e não prevê "nenhum risco de não implementar" esse reajuste. No segundo trimestre, a empresa elevou seus preços entre 11 e 15 por cento.

Na avaliação de Leite, o que permite um novo ajuste, apesar do cenário de estoque e da diferença de preços entre mercados interno e externo, é previsão de queda nas importações no segundo semestre, em função de recuperação de preços fora do Brasil, e também demanda aquecida dos clientes por produtos de valor agregado.

Os reajustes feitos no aço este ano pela empresa não foram suficientes para cobrir a alta nos preços dos insumos, disse Leite, citando aumento de 35 por cento no minério de ferro e de 75 por cento no carvão em julho. Por isso "em algum momento futuro haverá necessidade de um novo ajuste". Além disso, ele comentou que "reajustes trimestrais (no preço do aço ocasionados pelo minério de ferro) já são uma realidade".

Entretanto, quando perguntado sobre a eventualidade de nova alta nos preços no quarto trimestre o presidente da Usiminas, Wilson Brumer, preferiu não comentar, afirmando apenas que "seria prematuro discutir isso agora".

A estratégia de aumento de exportação da Usiminas para o segundo semestre já está sendo implantada e "o nível de preço que estamos obtendo está muito próximo do nosso 'cash cost' (custo de produção)", disse Leite, acrescentando que a empresa está focando as vendas externas em chapas grossas e laminados a quente e a frio.

A companhia divulgou nesta quinta-feira lucro líquido de 347 milhões de reais no segundo trimestre, alta de 3 por cento sobre um ano antes, em meio a aumentos expressivos nos custos com minério de ferro e carvão.

INVESTIMENTOS

A principal dúvida em termos de capacidade produtiva de aço da Usiminas para os próximos anos, uma usina de placas de 5 milhões de toneladas prevista para Santana do Paraíso (MG) e suspensa em 2008 pela crise financeira internacional, será discutida pelo conselho da empresa em 24 de agosto.

Brumer evitou afirmar se haverá uma decisão sobre o projeto nessa data, preferindo afirmar que estima um posicionamento da empresa até final do ano.

Atualmente, a companhia atravessa um ciclo de investimentos focado principalmente em expansão de capacidade de laminação de aço resolvendo um gargalo que obrigou a empresa a deixar de atender demanda interna em anos anteriores, como a da indústria automotiva, por falta de produto.

Esses investimentos, de 14 bilhões de reais entre 2007 e 2014, incluem uma expansão na capacidade de laminados a quente da ordem de 74 por cento entre 2010 e 2012, para 3,75 milhões de toneladas. Além disso, a capacidade de produção de produtos galvanizados crescerá em 63 por cento no período, para 1,3 milhão de toneladas.

Essas novas capacidades em laminação, no final do período, vão acabar exigindo produção adicional de placas, disse Brumer. Porém, a Usiminas avalia instalar a nova usina em módulos, em vez de trabalhar de uma vez na construção de toda a capacidade prevista, disse o executivo.

O local também não está definido, "estamos olhando a própria otimização de nossas áreas atuais de produção". As principais instalações siderúrgicas da Usiminas estão em Ipatinga (MG) e Cubatão (SP).

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