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"A empresa está numa situação financeira muito confortável", diz o vice-presidente financeiro, Paulo Penido

A Embraer não deve realizar captações no mercado no curto prazo, por conta de uma situação financeira "confortável" que não exige a necessidade de refinanciamento de dívidas, segundo o vice-presidente financeiro e de Relações com Investidores da fabricante de aeronaves, Paulo Penido.

"A empresa está numa situação financeira muito confortável, com um dívida de 1,7 bilhão e um caixa de 2,1 bilhões de dólares, o que significa que eu tenho mais caixa do que dívida", afirmou o executivo em teleconferência na manhã desta quarta-feira com jornalistas sobre os resultados do quarto trimestre, divulgados na noite da véspera.

Ao mesmo tempo, Penido lembrou que as taxas de juros se mostram mais baixas no momento, não descartando captações no futuro, "dependendo das condições".

O executivo afirmou ainda que a Embraer vê uma demanda estável para os aviões comerciais da companhia. "No ano passado foram 105 e o 'guidance' desse ano é estável", disse Penido. "Estamos cautelosamente otimistas."

Entre os sinais recuperação está a melhora do cenário nos Estados Unidos e a visão de que "a Europa não está piorando mais".

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"Todos sabemos há uma necessidade de renovação de frota, de adequar as rotas com os aviões de tamanho correto. Tudo isso tem gerado uma demanda estável pelos nossos aviões."

A companhia registrou prejuízo líquido de 171,6 milhões de reais no quarto trimestre de 2011, ante lucro de 208 milhões de reais no mesmo período do ano anterior. Em dólares, a Embraer teve prejuízo de 91,8 milhões de dólares de outubro a dezembro.

A projeção média de estimativas do mercado obtidas pela Reuters era de lucro de 143 milhões de dólares nos três últimos meses de 2011, mas alguns analistas já alertavam que a empresa poderia reportar prejuízo se lançasse provisões relacionadas à concordata de importante cliente norte-americana.

No demonstrativo do resultado, a Embraer informou que registrou provisões de 662,6 milhões de reais devido à concordata da AMR, controladora da companhia aérea American Airlines, e exposições por garantias financeiras e de valor residual.

"A provisão todo o mercado esperava. De acordo com a boa prática contábil que a gente sempre pratica na empresa, eu acredito que ela vai ser recebida com naturalidadade... A necessidade da provisão era conhecida", afirmou Penido.

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