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Expectativa é que a empresa assine contratos definitivos de venda de jatos para clientes como Air Lease e Republic Airlines

O Phenom 100 e o 300, da Embraer
Reprodução
O Phenom 100 e o 300, da Embraer
A Embraer terá a chance de provar na Paris Air Show, na próxima semana, que seus jatos comerciais continuam competitivos mesmo diante da ameaça de concorrentes.

A fabricante brasileira chega a Le Bourget, nas cercanias da capital francesa, com menos pompa do que em edições anteriores do evento, sem nenhum de seus aviões em exposição.

A expectativa de analistas é que a empresa assine contratos definitivos de venda de jatos para clientes como Air Lease e Republic Airlines, com as quais firmou cartas de intenção no ano passado para encomendas de cerca de US$ 1,5 bilhão.

Há ainda acordos para serem ratificados de venda de 20 aviões na China e campanhas com potenciais clientes na Venezuela, Colômbia e Indonésia, entre outros.

Sempre há agitação do mercado quando as feiras de aviação se aproximam, embora o discurso oficial da Embraer seja de que não reserva pedidos para fazer alarde nesses eventos, como as gigantes Boeing e Airbus.

"Esperamos que a Embraer consiga algumas encomendas, mas não acreditamos que o evento seja um divisor de águas como foi a feira de aviação do ano passado", afirmou o analista Joseph B. Nadol, do JPMorgan, referindo-se à Farnborough International Airshow, em julho de 2010.

A feira inglesa marcou a retomada de encomendas para as fabricantes de aviões após a crise global --e a Embraer encaminhou na ocasião acordos de até US$ 9 bilhões, com pedidos firmes representando US$ 1,6 bilhão do total.

Mais otimista, o analista Noah Poponak, do Goldman Sachs, acredita que a Embraer poderá fechar encomendas por até 200 aviões entre a Paris Air Show e o fim de 2011.

Poponak lembra que a fabricante foi vitoriosa em quase todas as campanhas de vendas de jatos regionais que disputou nos últimos trimestres e destaca o número de opções de compra de clientes na carteira da Embraer, com um total de 705 aeronaves no final de março, além das 270 encomendas firmes.

"A Embraer tem quase 10 anos de produção assegurada quando consideramos os pedidos firmes e as opções em carteira."

Historicamente, os recibos de ações (ADRs) da Embraer negociados em Nova York sobem 5% nas semanas que antecedem os grandes salões de aeronáutica, enquanto o S&P 500 cai 1,9%, segundo o BofA Merrill Lynch.

Não é o caso desta vez. O valor do ADR da Embraer está praticamente estável quando comparado ao início de maio.

Demora?

A morosidade da Embraer em definir o próximo passo na aviação comercial --sua principal fonte de receita-- tem deixado inquietos alguns analistas. A companhia avalia se ingressará no mercado de aviões maiores, o que a colocaria em disputa com Boeing e Airbus.

O presidente-executivo da Embraer, Frederico Curado, argumenta que os aviões da empresa têm tecnologia de ponta, por isso não há pressa para desenvolver um novo avião.

Mas existe temor no mercado de que a estratégia de esperar os movimentos da concorrência na aviação comercial pode custar caro no longo prazo.

A Embraer anunciou seus E-Jets de 70 a 122 lugares em 1999, após identificar carência de jatos desse tamanho no mercado, e assumiu a liderança absoluta nesse nicho. Há novos desafiantes no segmento da Rússia, da China e do Japão. Por enquanto, só o SuperJet 100, da russa Sukhoi, está em operação.

O analista Stephen Trent, do Citigroup, alerta que o desenvolvimento de produtos na aviação comercial na Embraer está quase paralisado enquanto competidores avançam.

Trent prefere a Bombardier, principal rival da empresa brasileira, porque os jatos executivos da fabricante canadense apresentam forte demanda.

Possíveis anúncios

A Embraer tem dois encontros programados com jornalistas nos dias 20 e 21. A Paris Air Show vai de 20 a 26 de junho e os primeiros dias, restritos à imprensa e expositores, concentram os anúncios de pedidos pelas fabricantes.

A pauta só é conhecida no momento da entrevista --que nem sempre acontece. É praxe nos salões de aeronáutica que companhias façam reserva de salas de coletivas para anúncios previstos ou acordos de última hora, que às vezes não saem.