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Empresa fechou cinco contratos para venda de 39 aviões, avaliados em US$ 1,7 bilhão

A Embraer anunciou nesta segunda-feira cinco contratos para venda de 39 aviões avaliados em US$ 1,7 bilhão na abertura da Paris Air Show, maior salão mundial de aeronáutica.

Com os acordos, a fabricante brasileira busca reassegurar que a demanda por seus E-Jets, capazes de transportar entre 70 e 122 passageiros, segue forte e tenta dissipar temores de que estaria demorando a decidir sobre o desenvolvimento de um novo avião comercial.

Há ainda opções de compra de outras 22 aeronaves, que podem levar o valor combinado dos novos negócios para US$ 2,6 bilhões. Todas as vendas firmes e opções são do modelo Embraer 190, de 100 passageiros e com preço de tabela de 42,8 milhões de dólares cada.

Atualmente, a Embraer compete apenas com a russa Sukhoi e seu Superjet 100 no mercado de jatos de 100 lugares, avião que por enquanto tem certificado apenas para voar na Rússia.

Mas há outros competidores a caminho, produzidos por China e Japão, além do avião CSeries, da rival canadense Bombardier, de cerca de 130 passageiros.

"Temos visto uma demanda muito boa por nossos jatos", afirmou a jornalistas o vice-presidente de Aviação Comercial da Embraer, Paulo Cesar de Souza e Silva, ao revelar as encomendas em Le Bourget. "É um programa de sete anos que já tem 1 mil encomendas firmes de aviões e que caminha para 800 entregas."

A maior encomenda divulgada pela Embraer na Paris Air Show foi feita pela companhia aérea Sriwijaya Air, da Indonésia, com aquisição de 20 aviões e direitos de compra de 10 unidades.

Outro pedido relevante é o da Kenya Airlines, com carta de intenção de compra firme de 10 aviões e mais 10 opções. O vice-presidente da Embraer disse que o contrato final com a companhia aérea queniana será assinado nas próximas semanas.

Há ainda acordos menores com as empresas de leasing Air Lease e GE Capital Aviation Services --da General Electric)-- e com a companhia aérea Air Astana, do Cazaquistão.

A maioria das encomendas anunciadas não era prevista por analistas que acompanham a Embraer, exceto pela da Air Lease.

Na noite de domingo, o presidente-executivo da Embraer, Frederico Curado, afirmou à Reuters que deve decidir no final deste ano se a fabricante vai remodelar sua atual família de jatos ou se partirá para um custoso e arriscado desenvolvimento de uma aeronave maior que disputaria mercado com as gigantes Boeing e Airbus.

"Estamos sentindo o aumento da competição e não podemos ter ilusão de que vamos ficar de braços cruzados sem anunciar nossos planos e está tudo bem. A expectativa começa a aumentar. Eu continuo achando que até o final do ano a gente já tem um direcionamento", disse Curado.

Previsão

A Embraer também divulgou nesta segunda sua previsão para demanda global por jatos de 30 a 120 passageiros de 2011 a 2030. A estimativa é de um total de 7.225 aviões, no valor de US$ 320 bilhões.

O número é cerca de 5% acima da estimativa anterior, para o intervalo de 2010 a 2029, que projetava 6.875 aeronaves de até 120 lugares.

O maior crescimento da compra de aeronaves regionais virá da China, com alta anual de 7,5%, seguido por América Latina, com 7,2%, e Oriente Médio, com 6,9%, segundo a Embraer.

Cinquenta e três por cento dos novos aviões serão para suportar o crescimento do tráfego aéreo, enquanto os 47% restantes irão para substituição de frota antiga.

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