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Tradicional produtora de talheres, Tramontina chega aos 100 anos fabricando de panelas a móveis, com vendas de R$ 2,5 bilhões

A Tramontina, tradicional fabricante de artigos de cutelaria, chega aos cem anos com uma lista diversificada de produtos em seu portfólio, que vai de móveis de plástico e madeira para jardim e piscina até cubas de inox para pias, aspiradores de pó e “cooktops”. São dez fábricas no Brasil responsáveis pela criação e produção de 17 mil itens, que podem ser encontrados em residências de 118 países para os quais a companhia exporta.

A pequena ferraria onde Valentin Tramontina iniciou sua produção no interior do Rio Grande do Sul, em 1911
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A pequena ferraria onde Valentin Tramontina iniciou sua produção no interior do Rio Grande do Sul, em 1911

A cada dia, saem das linhas de produção da companhia 200 mil facas, 85 mil panelas antiaderentes e 12 mil panelas de inox, para citar alguns exemplos. A empresa é uma das poucas do setor que ainda fabrica talheres no País. “A Tramontina só importa matéria-prima. A transformação é toda feita aqui”, conta Todson Marcelo Andrade, presidente da Câmara Municipal de Carlos Barbosa, cidade gaúcha que abriga quatro fábricas da empresa, e presidente do sindicato dos metalúrgicos local. “Eles fabricam 70% das cubas vendidas no mercado nacional. No ano passado, foram mais de 400 mil cubas que saíram da unidade, que tem 200 funcionários”, relata o vereador.

“A Tramontina é uma das grandes empresas da região de Caxias do Sul”, afirma Odacir Conte, diretor-executivo do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul (Simecs). Ele conta que ela integra um seleto grupo de companhias locais internacionalmente conhecidas, como a fabricante de ônibus Marcopolo ou a produtora de implementos agrícolas Randon.

Fábrica de ferramentas da Tramontina, em Carlos Barbosa, inaugurada em 1982
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Fábrica de ferramentas da Tramontina, em Carlos Barbosa, inaugurada em 1982

A história da Tramontina começou em 1911, quando Valentin Tramontina chegou à localidade que viria a se tornar Carlos Barbosa, para montar o seu próprio negócio, uma cutelaria especializada em canivetes. Filho de italianos e nascido em Santa Bárbara, Valentin criou uma pequena oficina em um terreno alugado. Após o serviço militar obrigatório, retomou suas atividades e mudou para um galpão maior. Foi logo depois que Valentin casou-se com Elisa De Cecco.

Em 1949, os Tramontina passaram a dividir o poder na companhia com Ruy Scomazzon. Desde 1992, a vice-presidência do conselho está nas mãos de Eduardo Scomazzon, filho de Ruy.

Faturamento

Hoje, a maioria das famílias da cidade tem, teve ou terá alguma relação com a Tramontina. Em Carlos Barbosa, que se tornou independente de Farroupilha em 1959, a companhia tem quatro de duas dez fábricas, onde trabalham cerca de 50% dos seus 6 mil funcionários. João Paulo Dall´Oglio, secretário do Planejamento do município, estima que a companhia seja responsável por cerca de 70% da economia do município. O faturamento da empresa no ano passado, considerado “fraco” por uma fonte que prefere não se identificar, foi de R$ 2,5 bilhões. Para este ano, a fonte estima que o valor das vendas brutas alcance a casa dos R$ 3 bilhões.

O primeiro escritório da companhia no exterior, aberto no México em 1997
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O primeiro escritório da companhia no exterior, aberto no México em 1997

O poder da Tramontina na cidade de 25 mil habitantes é tal que os barbosenses costumam dizer que o município tem dois prefeitos, Fernando Xavier, do PDT, e Clovis Tramontina, herdeiro e presidente do conselho de administração do grupo Tramontina. Procurado por meio da assessoria de imprensa da empresa, Clovis Tramontina não quis atender a reportagem.

Formado em Direito e em Administração de Empresas, Clovis representa a terceira geração dos Tramontina na indústria de cutelaria. Ele assumiu o conselho da companhia em 1992, no lugar de seu pai, Ivo Tramontina. “Vejo a Tramontina no futuro com polos de produção fora do Brasil, com plantas de produção por continentes”, disse recentemente o empresário ao jornal “Contexto”, publicado semanalmente em Carlos Barbosa. A companhia tem 11 unidades no exterior, sendo duas nos Estados Unidos, mas não há produção internacional. Em uma recente entrevista ao diário gaúcho “Zero Hora”, Clovis disse que sua “visão” está mais orientada para a África do que para a China, indicando futuros planos de investimento. “O continente africano tem 800 milhões de habitantes e está a seis, sete horas do Brasil. Pode ser uma grande oportunidade para colocar uma unidade produtiva”, afirmou.

No texto do jornal barbosense, Clovis reforça o estilo familiar de administração do grupo. Afirma que, pela sua vontade, seus filhos também devem vir a integrar os quadros da companhia. “Eu gostaria que meus filhos trabalhassem aqui. Estou preparando eles. A Elisa fez design e presta serviços à Tramontina. Os guris estão no exterior estudando, mas já sabem que, se vierem para cá, terão de ter dedicação e estarem preparados para isso”, afirmou o empresário, em referência aos filhos Marcos e Ricardo.

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