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Empresa ecoou comentários da rival Usiminas de que o preço do aço no mercado brasileiro deve cair 5% nos últimos trimestre

A Companhia Siderúrgica Nacional ecoou nesta sexta-feira comentários da rival Usiminas de que o preço do aço no mercado brasileiro deve recuar 5% nos últimos três meses do ano. Para a CSN, o preço do insumo atingiu "o fundo do poço" após as importações recordes do terceiro trimestre.

"As usinas aprenderam a sua lição em termos de prêmios praticados no mercado interno", afirmou o diretor comercial da CSN, Luis Fernando Martinez, em teleconferência com analistas, após a empresa ter divulgado na noite da véspera lucro líquido de R$ 720 milhões, queda de 37% sobre o mesmo período de 2009. .

Segundo o vice-presidente financeiro da CSN, Paulo Penido, a adequação dos preços nacionais em relação aos internacionais já aconteceu e o preço praticado no país "já desencoraja importações".

O preço do aço das usinas no Brasil chegou a ser 30% acima do importado e agora a diferença está reduzida a uma média entre 8% a 15% com relação aos produtos a quente, a frio e zincados da CSN para indústria e distribuição, disse Martinez. "É um nível sustentável para um país como o Brasil, considerando o nível de serviços que oferecemos ao mercado", afirmou.

Na véspera, a Usiminas, maior produtora de aços planos do país, comentou que espera uma queda nas importações de aço nos próximos meses, após as usinas terem baixado preços no terceiro trimestre para lidar com um volume de importações de 4,4 milhões de toneladas de janeiro a setembro, o equivalente à produção anual de uma grande usina.

A meta da CSN de vender 5 milhões de toneladas de aço em 2010 foi mantida depois que a empresa registrou vendas de 1,2 milhão de toneladas no terceiro trimestre.

Para 2011, Martinez acredita que o setor terá um "primeiro semestre excelente (...) ainda não tenho números fechados, mas acho que a gente consegue capturar 8% a 10% de crescimento (de vendas) no próximo ano".

Martinez prevê um primeiro trimestre de 2011 com queda forte nas importações --após a redução de preços pelas usinas locais e medidas do governo para desestimular compra de material externo que se aproveitam da valorização do real sobre o dólar.

"A gente não imagina movimentação de preços para o primeiro trimestre", afirmou, prevendo que o mercado interno continuará aquecido e os preços de matérias-primas no país deverão ficar estáveis.

Uma dessas matérias-primas é o carvão, que a CSN está comprando a entre US$ 210 e US$ 215 a tonelada, apesar de ainda estar registrando um custo de US$ 250 a US$ 260 por causa de acordos anteriores. "Esse 'carry over' de negociações acaba nesse trimestre", disse Penido.

CAIXA ABARROTADO

A CSN, que encerrou o terceiro trimestre com um caixa de R$ 11,5 bilhões, está investindo parte do dinheiro em títulos de renda variável, disse Penido.

Segundo o executivo, os investimentos em renda variável são oportunísticos e por carregarem risco a empresa está dedicando menos de 10% do caixa. Parte do caixa foi destinado inclusive a investimento no exterior, disse o executivo, evitando citar regiões ou setores. "Entramos e saímos de algumas posições."

"A CSN tem mantido posição de caixa muito alta porque está preparada para capturar alguma oportunidade de aquisição no mercado. Esperávamos que os bancos fossem dar um aperto nas empresas que estão apertadas nos nossos mercados-alvos, o que não aconteceu até agora", afirmou Penido. "Acreditamos que, considerando a situação macroeconômica de Europa e nos Estados Unidos, essas oportunidades devem acontecer e estamos preparados."

A CSN tem objetivos de internacionalização e no ano passado tentou comprar a gigante cimenteira Cimpor, mas a intenção acabou frustrada por avanços da Votorantim e da Camargo Corrêa sobre a companhia portuguesa. Anos antes, a companhia brasileira também tentou adquirir a siderúrgica europeia Corus.

Às 12h29, as ações da CSN exibiam queda 1,16%, a R$ 28,02. O Ibovespa tinha oscilação positiva de 0,47%.

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