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Óleo pesado já equivale a menos da metade das reservas. Dilma inaugura plataforma para Marlim Sul

As descobertas do pré-sal e de outras regiões do País ricas em petróleo além da Bacia de Campos, tradicional produtora de óleo pesado, têm mudado o perfil das reservas brasileiras. Para justificar por que a Refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, está sendo concluída para processar somente petróleo pesado, o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, afirmou que a companhia ainda possui 6 bilhões de barris de óleo deste tipo - volume suficiente para fazer a refinaria funcionar por pelo menos 20 anos.

Uma análise comparativa com o total das reservas brasileiras mostra que o petróleo pesado, que nos últimos anos sustentou o consumo brasileiro, perdeu terreno para tipos de óleo mais valorizados, como o leve, encontrado nas jazidas do pré-sal. As reservas provadas de petróleo da Petrobras somam cerca de 12,9 bilhões de barris. Com gás associado, esse número sobe para cerca de 16 bilhões.

O óleo pesado, portanto, equivale a cerca de 47% das reservas da Petrobras - que por sua vez possui quase a totalidade dos recursos provados. Para se ter uma ideia do ritmo acelerado desta mudança, a Petrobras, no ano passado, incorporou 800 milhões de barris de petróleo do pré-sal de Santos nas suas reservas provadas e 100 mil barris da Bacia de Campos. 

Dilma inaugura plataforma

A Bacia de Campos, porém, continua sendo a maior produtora de petróleo do País, com pelo menos 75% da produção nacional. Nela estão os maiores campos do País, como o de Marlim Sul, dividido em 4 módulos de exploração. Em um deles funcionará a P-56, plataforma que a presidente Dilma Rousseff inaugura nesta sexta-feira (3), em Angra dos Reis.

Construída pela Keppel Fels no estaleiro Brasfels, em Angra dos Reis, a P-56 tem capacidade para extrair 100 mil barris por dia de petróleo. Junto a outras plataformas já instaladas, Marlim Sul, um dos maiores produtores do País, alcançará a produção de 300 mil barris por dia. As reservas totais do campo não foram informadas, mas o gerente de ativos de Marlim Sul, Carlos Bartolomeu Barbosa, disse que no prospecto onde ficará a P-36 existem cerca de 540 milhões de barris.

Com 73% de conteúdo nacional, a plataforma custou R$ US$ 1,5 bilhão e gerou cerca de 4 mil empregos diretos durante sua construção. O início da produção na Bacia de Campos será em agosto, mas a plataforma vai ser testada antes nas baías de Ilha Grande e de Guanabara.

Os módulos de geração da plataforma foram construídos pela Rolls Royce em parceria com a UTC Engenharia. Já as unidades de compressão de gás pela empresa Nuovo Pignone, da GE.

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