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Brastemp acusa LG e Samsung de prática ilegal de 'dumping'

Jeff Fettig, CEO Whirlpool, dona da Brastemp no Brasil, processa concorrentes coreanas por vender abaixo do custo nos EUA

Marina Gazzoni, enviada a Benton Harbor (EUA) |

Divulgação
Jeff M. Fettig, presidente mundial da Whirlpool
A disputa pelo mercado de linha branca se tornará mais acirrada no Brasil nos próximos anos. A americana Whirlpool, dona das marcas Brastemp e Consul e líder absoluta no mercado brasileiro, passará a enfrentar novos concorrentes de peso, como a Samsung e a LG.

As duas marcas coreanas já ocupam as primeiras posições no segmento de aparelhos eletrônicos, como televisores, mas estão expandindo seus negócios no Brasil. As duas empresas anunciaram recentemente que terão fábricas de eletrodomésticos no mercado brasileiro.

Os planos da Samsung e da LG batem de frente com os da Whirlpool. No mundo, a empresa ocupa 15% de um mercado que movimenta US$ 120 bilhões por ano. Em 2010, a fabricante americana faturou US$ 18 bilhões, valor equivalente a R$ 28,5 bilhões. Sua meta é chegar a US$ 25 bilhões em 2014 (R$ 39,5 bilhões).

Processo antidumping

A participação das empresas coreanas é bem menor, mas cresce em um ritmo que já começa a provocar uma reação dos americanos.

Em 2011, o ano em que a Whirlpool comemora seu centésimo aniversário, a batalha pelo mercado de linha branca esquentou nos Estados Unidos. Em março, a Whirlpool entrou com um processo solicitando que o governo americano imponha medidas antidumping contra a LG e a Samsung. A prática de dumping ocorre quando uma empresa vende produtos abaixo do preço de custo.

“Existem leis que valem para todos. E há fortes indícios de que a Sansumg e a LG estão violando as regras nos Estados Unidos”, disse Jeff Fettig, CEO (presidente-executivo) do grupo Whirlpool,  durante encontro com jornalistas realizado na terça-feira na sede do grupo, em Benton Harbor, nos EUA, do qual participou o iG.

E a briga entre as empresas deve se estender para o mercado brasileiro em breve.

Disputa pela liderança no Brasil

Depois dos Estados Unidos, o Brasil é o segundo maior em volume de vendas da Whirlpool. A companhia concentra quase 12% de suas vendas no País, ou seja, um volume de cerca de US$ 2 bilhões (R$ 3,16 bilhões). O mercado brasileiro de linha branca consome cerca de 25 milhões de unidades por ano.

De olho nesse consumo, a Samsung e a LG estão com planos de produzir eletrodomésticos no Brasil. Atualmente, as coreanas importam de outras fábricas os eletrodomésticos que vendem no Brasil. Desta forma, limitam sua atuação, principalmente, a produtos de alto padrão. Sem produzir no País, as fabricantes coreanas não conseguem competir dentro do mercado tradicional brasileiro, liderado pela Consul e pela Brastemp.

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Com a construção de fábricas no Brasil para linha branca, Samsung e LG devem entrar de vez neste mercado. Em dezembro do ano passado, a Samsung anunciou que deve abrir no Brasil sua segunda fábrica fora da Ásia – a primeira é no México e abastece, principalmente, os Estados Unidos.

Já a LG acaba de anunciar investimento de US$ 115 milhões em uma unidade para produzir fogões e geladeiras em Paulínea, no interior de São Paulo. “Não temos uma meta de participação de mercado, mas o nosso objetivo é ser líder em linha branca até 2014”, afirmou em março deste ano o diretor de marketing da LG no Brasil, Humberto de Biase.

Questionado pelo iG sobre o investimento de seus competidores, o presidente da Whirlpool disse que não comenta anúncios de concorrentes, mas disse que a meta da LG é inviável. “[Ser íder em três anos] não é realista”, diz Fettig.

Força das marcas

Para manter sua posição no Brasil, a Whirlpool diz que apostará, principalmente, na força das marcas, em inovação e na qualidade de seus produtos. “Estamos fazendo a coisa certa para ser o número um hoje, em 2014 e sempre”, diz Fettig.

A Whirpool chegou ao Brasil em 1957 com uma parceria comercial com a Brasmotor, empresa que originou a marca Brastemp e foi adquirida pela companhia americana em 1997. Hoje, é dona de cerca de dez marcas globais no segmento de linha branca, mas oferece três delas no Brasil – Brastemp, Consul e KitchenAid.

“Para atender todos os consumidores, é melhor ter um portfólio do que uma única marca. Quem tenta falar com todos os consumidores, não fala com nenhum”, diz a diretora global de marcas da Whirlpool, Kim Thompson.

O Brasil é o único onde a empresa não vende produtos com o nome “Whirlpool”. Mas, ao menos por enquanto, a empresa não tem planos para introduzir sua maior marca no País. Ela quer, no entanto, que o nome do grupo seja mais conhecido e lançará, no segundo semestre, uma campanha de marketing no Brasil para comemorar os cem anos da Whirlpool no mundo.

(A jornalista viajou a convite da Whirlpool)


 

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