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Presidenta diz que é preciso esforço para equilibrar gastos e investir até 24% do PIB

Dilma Rousseff durante fala ao plenário da reunião dos Brics, na Índia
AP
Dilma Rousseff durante fala ao plenário da reunião dos Brics, na Índia

A presidenta Dilma Rousseff disse em Nova Délhi que tem consciência de que o Brasil precisa reduzir a carga tributária e que está se empenhando nesse sentido.

"Tenho consciência de que o Brasil precisa reduzir a carga tributária. Farei o que for possível para reduzi-la", disse a presidente, em entrevista em Nova Délhi, onde participa da reunião do Brics, grupo integrado pelo Brasil, Índia, China, Rússia e África do Sul. Ela observou, no entanto, que "há muitos aspectos na reforma tributária. "Tomamos medidas pontuais para que, no conjunto, a desoneração seja possível", disse. 

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Dilma confirmou que assim que chegar ao Brasil anunciará um conjunto de medidas. "Elas (as medidas) têm por objetivo justamente assegurar, através de questões tributárias e financeiras, maior capacidade de investimento para o setor privado", disse a presidente, que não deu mais detalhes. 

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Ela disse que, assim como os empresários, ela também reclama muito do sistema tributário. E admite até que, no futuro, seja possível encaminhar uma reforma global. No momento, afirmou, o governo toma medidas pontuais "que permitam que no conjunto se crie uma desoneração maior dos tributos no País".

Equilíbrio entre investimentos e gastos

Dilma afirmou também que o Brasil vai ter que continuar fazendo gastos para melhorar a saúde e educação, apesar da necessidade de fazer com que a taxa de investimento total do País - que engloba aportes públicos e privados em infraestrutura e equipamentos, por exemplo - chegue a 24% do PIB (atualmente a taxa está em 19,3%, segundo o IBGE).

“O que a população quer? Um médico na hora que ela precisar e pronto atendimento”, disse. “Vamos ter de gastar nisso, que não é investimento e, ao mesmo tempo, teremos de aumentar a taxa de investimento”, disse Dilma. “Temos uma das mais baixas taxas do mundo de médicos per capita”, disse a presidente, ao prometer “trabalhar nisso”.

Dilma defendeu que, na somatória dos investimentos totais sejam incluídos os gastos em construção do "Minha Casa Minha Vida", de financiamento a habitação popular, embora essas despesas não gerem capacidade produtiva.

Ela fez ainda uma crítica à imprensa, ao ser questionada sobre se vencido a crise com os aliados no Congresso após as votações obtidas pelo governo nos últimos dias, como a Lei da Copa e o Fundo de Previdência do Setor Público (Funpresp).

“Não venci guerra nenhuma”, disse. “uma parte disso é a imprensa: vocês chegam à conclusão de que tem uma crise e depois que tem a crise vocês têm de resolver como ela desapareceu”.

Mais críticas a países ricos

Dilma voltou a acusar os países desenvolvidos de prejudicarem outros com política monetária "injusta" e que  "traz vantagens comerciais enormes, e resulta em obstáculos injustos para os outros países".

O Brasil acusa países ricos de provocarem um "tsunami monetário" ao adotar políticas expansionistas, como taxas de juros baixas e programas de compra de títulos.

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As políticas têm o objetivo de estimular as economias da Europa e dos Estados Unidos, mas também provocaram uma onda de liquidez global que afetou mercados emergentes como o Brasil, fortalecendo suas moedas e tornando suas economias menos competitivas no exterior.

Em comunicado conjunto, os países que formam os Brics -Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul- pressionaram por mais direitos de voto no FMI.

"Esse processo dinâmico de reforma é necessário para garantir a legitimidade e a efetividade do Fundo", afirmaram os países após o primeiro dia de reunião.

* Com AE, BBC Brasil e Valor Online

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