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Apesar das preocupações manifestadas por acionistas minoritários, todos os temas levados à votação na assembleia foram aprovados

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A primeira assembleia de acionistas da Vale após a confirmação de troca na presidência da mineradora foi recheada de questionamentos sobre o futuro da empresa e sua política socioambiental. Até o sindicalista canadense Wayne Rae, que liderou a mais longa greve enfrentada pela mineradora, tentou comparecer à assembleia. Mas, saiu frustrado ao ser barrado na porta.

Apesar das preocupações manifestadas por acionistas minoritários, todos os temas levados à votação foram aprovados. Entre eles, a entrada do secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, no conselho de administração da Vale como representante da Previ.

O fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil divide com a Bradespar, o BNDES e a Mitsui o controle da mineradora brasileira. Os números grandiosos apresentados pela Vale contrastam com o tímido quórum do evento, que reuniu hoje cerca de 30 acionistas em uma sala de reunião no 19ª andar da sede da companhia no Rio de Janeiro.

Detentor de ADRs (American Depositary Receipts, títulos da empresa negociados na Bolsa de Nova York), o sindicalista canadense foi barrado sob a alegação de que suas ações estavam registradas no nome do Banco JP Morgan, que fez a operação de compra. Alguns acionistas chegaram a protestar e pedir que ele pudesse acompanhar a reunião apenas como ouvinte.

O presidente do conselho de administração da Vale, Ricardo Flores, consultou o departamento jurídico, que reiterou a posição. Inconformado, Rae deixou o local. "Nosso objetivo é cumprir as normas e o regulamento e respeitar a governança corporativa", argumentou Flores.

Mesmo frustrado, Rae se mostrou otimista com a recente nomeação de Murilo Ferreira para suceder Roger Agnelli no comando da Vale. O novo presidente já trabalhou na Vale, sendo responsável pela subsidiária canadense entre 2006 e 2008, quando foi substituído por Tito Martins. "Tínhamos um dialogo maior quando o Murilo Ferreira foi presidente da Vale no Canadá, disse Rae.

Futuro

Flores, que também preside a Previ, aproveitou o evento para reafirmar a intenção dos acionistas controladores de não mexer no atual planejamento estratégico da empresa. Ele lembrou que Ferreira tem um "perfil técnico" e que o processo de escolha do sucessor de Agnelli seguiu o estatuto e as normas de governança corporativa.

Durante a assembleia, um acionista lamentou a saída de Agnelli ao falar dos bons resultados obtidos pela companhia ao longo dos dez anos à frente da Vale. "Infelizmente, quem nos controla é o governo federal", afirmou, numa referência à presença da União no bloco de controle.

Os acionistas presentes fizeram ainda uma bateria de perguntas sobre a atuação da Vale nas comunidades próximas às atividades da companhia e também sobre o relacionamento com seus trabalhadores no Canadá. Flores optou por uma resposta mais genérica aos questionamentos: "Na nossa convicção, os acionistas terão cada vez mais transparência, voz e participação na empresa", disse.

Na assembleia foi referendada a formação do novo conselho de administração. Dos 11 membros, sete serão reconduzidos aos cargos. Além das duas substituições propostas pela Previ (saem Jorge Luiz Pacheco e Sandro Marcondes e entram Nelson Barbosa e Robson Rocha), estão sendo indicados também novos representantes para a trading japonesa Mitsui (sai Ken Abe e entra Fuminobu Kawashima) e para os empregados da Vale (sai Eduardo Fernando Jardim Pinto e entra Paulo Soares de Souza).

Foi aprovada ainda a remuneração de R$ 108,9 milhões, incluindo encargos, para o pagamento da diretoria, dos conselhos de administração e fiscal e também dos comitês de assessoramento para o ano de 2011.