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Unidade será especializada em tecnologia hidrelétrica ainda pouco usada no Brasil, mas considerada promissora pela empresa

A Alstom, multinacional francesa especializada nos setores de transportes e energia, lançou nesta quinta-feira, em Taubaté, a pedra fundamental de seu quinto centro global de tecnologia, o primeiro na América Latina. Construído junto à fábrica de turbinas hidrelétricas da empresa, a unidade será especializada em um tipo de usina ainda pouco comum no Brasil, mas com grande potencial, na avaliação dos executivos da Alstom. "Nos próximos dez anos, 45% do mercado de turbinas Kaplan estarão no Brasil", diz Marcos Costa, vice-presidente de energias renováveis e energia térmica da na América Latina.

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Centro de pesquisas da Grenoble na França
Divulgação
Centro de pesquisas da Grenoble na França
Hoje, uma das principais referências de uso da tecnologia no país é a hidrelétrica de Porto Primavera, no Rio Paraná, na divisa entre os estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Mas a Alstom estima que ela será a mais especificada para novos projetos de hidrelétricas, como São Luiz do Tapajós, no Pará, e São Manuel, no rio Teles Pires, no Mato Grosso, por funcionar bem sem grandes reservatórios. "Cerca de 90% das novas usinas serão construídas na região Norte. E, delas, 62% serão Kaplan", diz Ricardo Vasconcello, gerente do novo centro de tecnologia.

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"Nos próximos dez anos, 45% do mercado de turbinas Kaplan estarão no Brasil", diz Marcos Costa
Criadas para aproveitar quedas de água pequenas, com entre 10 e 55 metros, as turbinas Kaplan têm como característica pás móveis, que se adequam ao fluxo de água do rio, o que permite a geração de energia em períodos de muita ou pouca chuva. Sua potência máxima, porém, ainda varia de 30 MW a 250 MW, bem abaixo das turbinas do tipo Francis, comuns no país, usadas em grandes projetos como Itaipu, quem tem turbinas de 800 MW. Como referência, 1 MW de geração contínua é capaz de abastecer cerca de 5 mil residências no Brasil, onde o consumo residencial médio é de 156 kW/h.

Orçado em 6 milhões de euros e previsto para ficar pronto em meados de 2013, o centro abrigará equipes de pesquisa e desenvolvimento e terá uma plataforma de testes com tanque de água de 3 milhões de litros, que integrará o sistema hidráulico fechado, usado nos ensaios de equipamentos em construídos em escala reduzida.

Os outros centros tecnológicos da companhia, aos quais o de Taubaté trabalhará integrado, ficam na França (Grenoble), Suíça (Birr), Índia (Baroda) e Canadá (Sorel-Tracy). Há cinco anos, só existiam os europeus. A descentralização, diz Jérôme Pécresse, presidente mundial do setor de energias renováveis da Alstom, começou para que o desenvolvimento de tecnologias ficasse mais perto das linhas de produção e dos principais mercados em cada segmento.

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Segundo a empresa, já foram firmados acordos com a Universidade Federal de Itajubá (Unifei) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp), que poderão ter programas de mestrado e doutorado em áreas relacionadas ao setor hidrelétrico financiados pela Alstom.

Com oito fábricas no Brasil, a companhia registrou em seu último ano fiscal, encerrado em 31 de março de 2011, receita de cerca R$ 3 bilhões no Brasil, e carteira de pedidos de outros R$ 3 bilhões, com previsão de entrega para os próximos dois ou três anos.

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