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Desaceleração da demanda externa, provocada pela crise na Europa, pode ter ajudado a derrubar os preços da indústria

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A inflação da indústria de transformação, medida na porta de fábrica, ficou estável na passagem de outubro para novembro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar do aumento de preços em 13 das 23 atividades pesquisadas, setores importantes, como alimentos, papel e celulose e metalurgia, registraram recuo mensal, o que levou à estabilidade do índice.

A desaceleração da demanda externa, provocada pela crise na Europa, pode ter ajudado a derrubar os preços da indústria. Entre os principais impactos negativos, que fizeram a taxa sair de 0,76% em outubro para 0% em novembro, estão justamente setores da indústria exportadora, como alimentos, que recuou 0,40% e foi responsável por um impacto negativo de 0,08 ponto porcentual no índice; e papel e celulose, que teve queda de 2,31% e respondeu por uma influência de -0,07 ponto porcentual em novembro.

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"A redução na demanda pega, particularmente, a questão de alimentos, porque temos muita commodity. Não só alimentos, mas papel e celulose, outro setor em que caíram muito os preços. Isso reflete um pouco o que está acontecendo no mercado externo", explicou Alexandre Brandão, gerente do IPP no IBGE. No caso de papel e celulose, Brandão conta que as empresas explicaram a redução nos preços de produtos como uma estratégia para tentar conquistar mercado.

Em relação aos alimentos, os preços das commodities estariam aumentando no longo prazo, mas houve recuo na passagem de outubro para novembro em produtos como suco de laranja e resíduos de soja. "Isso, de alguma forma, tem a ver com essa crise internacional, a (redução na) demanda", considerou o pesquisador do IBGE. Outra importante influência negativa foi da indústria de metalurgia.

O setor teve queda de 0,80% nos preços em novembro, o correspondente a um impacto negativo de 0,07 ponto porcentual no IPP do mês. "Na metalurgia observou-se um fator importante, que foi a queda de preço internacional do alumínio. Isso acaba tendo impacto nos derivados de alumínio", explicou Brandão. Já o principal impacto positivo foi do setor de refino de petróleo e produtos de álcool, com alta de 0,55%.

Outras variações positivas significativas foram de impressão (6,21%), bebidas (2,20%) e calçados e artigos de couro (1,48%). As bebidas já tinham subido 3,57% no mês anterior. Em novembro, o encarecimento do chope foi o principal vilão. Os fabricantes aproveitaram a proximidade do verão para ajustar preços. "Chega o verão e é normal aumentar (os preços).

Em outubro, novembro e dezembro os preços de bebidas tendem a subir um pouco mais, porque aumenta a demanda, principalmente de chope", disse Brandão, lembrando ainda que a proximidade de datas festivas, como Natal, réveillon e carnaval mantém o consumo aquecido.

Em novembro, ficaram mais caros a cerveja, chope, refrigerantes e xarope para bebidas. Por outro lado, houve redução no grupo de aguardente de cana, rum ou tafiá (cachaça). De janeiro a novembro de 2011, o IPP acumulou alta de 2,76%. Em 12 meses, a alta foi de 3,20%.

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