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Paralisação dos metalúrgicos, que já dura quase um mês, é a maior já registrada entre as montadoras no Estado

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O Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba tentou reforçar hoje o movimento de greve dos 3,1 mil metalúrgicos da unidade da Volkswagen em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, mas não obteve sucesso. Os cerca de 600 funcionários do setor administrativo da empresa, que têm entrado normalmente na fábrica desde o início da paralisação, há 29 dias, optaram por continuar trabalhando.

"Respeitamos, embora não concordemos", disse o secretário-geral do sindicato, Jamil Davila. Logo no início da manhã, os metalúrgicos fecharam as entradas da fábrica e, de um carro de som, tentaram convencer os administrativos de que o movimento ganharia mais força com a participação deles.

Apesar de um pequeno atraso na entrada do turno, os funcionários voltaram a seus postos após votarem contra a paralisação. "A maioria não faz nada lá dentro porque depende da produção", ressaltou Dávila. "É um gasto a mais para a empresa." Os benefícios financeiros que os metalúrgicos conseguirem na negociação da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) serão estendidos também a eles.

Ontem os metalúrgicos rejeitaram a nova proposta da empresa , que se dispôs a pagar R$ 5,2 mil a cada um como primeira parcela da PLR, o mesmo que já foi pago aos trabalhadores das unidades de São Paulo. A segunda parcela também seria negociada nos moldes dos metalúrgicos paulistas.

A empresa havia proposto ainda sete dias adicionais de trabalho neste ano e outros dez dias em 2012, caso necessário. A proposta foi rejeitada. Os trabalhadores querem R$ 12 mil de PLR, a metade paga agora, e não admitem dias adicionais de trabalho. Pela contabilidade do sindicato, a Volkswagen deixou de fabricar 16,2 mil veículos Golf, Fox, CrossFox e Fox Europa.

Com um valor líquido médio de R$ 40 mil por veículo, a empresa teria deixado de faturar R$ 648 milhões. "Parece ilógico que deixe de faturar esse volume, quando com quatro ou cinco milhões de diferença entre o que oferece e o que pedimos poderia pagar a PLR", disse Davila. "Desconhecemos a motivação da empresa, mas talvez busque justificativa para fazer ou deixar de fazer investimentos na fábrica." Até esta tarde, não tinha sido agendada nenhuma reunião entre sindicato e empresa. O mais provável é que a situação seja resolvida na Justiça.

A Volkswagen entrou com pedido de dissídio no Tribunal Regional do Trabalho. Ele pode ser analisado na sessão do órgão especializado que será realizada segunda-feira.

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