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SÃO PAULO - O saldo comercial da indústria brasileira de materiais de construção passou de superávit de US$ 2,5 bilhões em 2006 para déficit de US$ 1,6 bilhão no ano passado

SÃO PAULO - O saldo comercial da indústria brasileira de materiais de construção passou de superávit de US$ 2,5 bilhões em 2006 para déficit de US$ 1,6 bilhão no ano passado. A reversão, de US$ 4,1 bilhões em quatro anos, mostra uma (aspa)¿deterioração rápida da competitividade¿(aspa) para Fernando Garcia, coordenador da pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) para a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat). O estudo será enviado à presidente Dilma e a ministérios ainda hoje, juntamente com uma carta de alerta. (aspa)¿Vamos mostrar que estão ocorrendo mudanças muito rápidas, que podem causar problemas para o país em um curto intervalo de tempo¿ (aspa), afirma o presidente da Abramat, Melvyn Fox. (aspa)¿Ainda não podemos falar que sofremos consequências pesadas, mas a tendência está muito complicada¿(aspa), diz. Entre as causas para a perda de competitividade está a valorização da moeda brasileira, mas o setor concentra-se no que considera que pode ser mudado internamente: os custos crescentes, principalmente de energia elétrica e mão de obra. O estudo mostrou que as indústrias mais intensivas em capital, avançadas em tecnologia e que consomem muita energia elétrica, como a siderurgia, foram as que mais perderam competitividade. Segundo o levantamento da FGV, o custo da energia elétrica para a indústria passou da média de US$ 40 por MWh em 2000 para US$ 160 por MWh em 2010. (aspa)¿Essa evolução foi altamente danosa para a indústria brasileira porque outros países não tiveram um crescimento tão acentuado. Na China, houve redução do preço da energia elétrica no período¿(aspa), afirma Garcia. Ainda de acordo com a pesquisa, os salários da indústria brasileira quase triplicaram durante o período. Para essas questões, a FGV e a Abramat sugerem uma desoneração. (aspa)¿Salários e energia têm dentro do preço final um componente de impostos muito grandes¿(aspa), diz Garcia. Certo de que o governo não vai abrir mão da arrecadação, o presidente da Abramat sugere meios de compensação. Ele cita que estão em discussão pelo governo uma substituição dos encargos trabalhistas por aumentos de PIS e Cofins. Sobre a possibilidade de criar novas tributações, Fox é enfático: (aspa)¿chega os impostos que já tempos¿(aspa). (Luciana Seabra | Valor)

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