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Associação que representa a indústria brasileira investe no programa de substituição de importação para aumentar as vendas

Indústria foi favorecida pela alta do câmbio e restrições do governo chinês
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Indústria foi favorecida pela alta do câmbio e restrições do governo chinês

A indústria de brinquedos brasileira aumentou seu faturamento em 2013, assim como as importadoras dos produtos para o País. Porém, os fabricantes nacionais levaram vantagem, com vendas 8,7% superior ao registrado pelas importadoras. Em 2012, esta distância era de 7,5%. 

Enquanto a indústria nacional teve ganhos de R$ 2,3 bilhões, as importadoras ganharam R$ 2,1 bilhões, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (31) pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq). "Ganhamos 5% de participação efetiva de mercado", diz o presidente da Abrinq, Synésio Costa.

Um dos motivos é que, na balança comercial do segmento, as importações diminuíram de US$ 402,3 milhões para US$ 390,6 milhões com relação ao ano anterior, uma queda de 7,8%. Um dos países com redução no volume de importações é a China. A participação do país asiático nas importações brasileiras caiu de 83,19% para 81,19% com relação a 2012. 

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Para Costa, o resultado se deve ao aumentou do dólar, que favoreceu a indústria nacional, e às restrições impostas pelo governo chinês aos fabricantes de brinquedos, além do aumento de custo de mão de obra no país asiático. "Já falta mão de obra em algumas cidades onde estão localizadas as fábricas".

Porém, mesmo com a queda, as importações de brinquedos chineses terminaram o ano representando uma fatia alta das importações. Além disso, ainda há o risco da fabricação dos importados apenas se deslocar para outros países da região, como Taiwan, Malásia e Filipinas – a chamada triangulação. 

Synesio Costa, presidente da Abrinq: substituição de importações e redução de alíquotas
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Synesio Costa, presidente da Abrinq: substituição de importações e redução de alíquotas

Isso já começa a acontecer. O porcentual de brinquedos importados da Malásia subiu de 3,28% para 3,34% e, do Vietnã, de 0,90% para 0,93%. A Indonésia também aumentou sua participação de 4,91% para 5,25%. Mas, como a China tem o volume mais representativo, uma queda nas importações de brinquedos chineses foi um fator decisivo para a redução das compras brasileiras de fornecedores estrangeiros. 

Costa também não descarta um potencial aumento de contratos subfaturados para fazer com que os produtos chineses mantenham a sua competividade no Brasil. "A China já aumentou o preço dos produtos. Se continuar a ser vendido pelo mesmo preço no Brasil é porque há contratos subfaturados. Acredito que seja a maioria dos casos", acusa o presidente da associação. 

Para enfrentar a concorrência asiática, hoje o maior problema do setor, Costa assegura que o setor já passou da fase da luta pelo protecionismo. Agora, a briga é no âmbito comercial.

Fabricantes querem doutrinar o varejo

O setor de brinquedos confia em um programa de substituição de importação, que consiste em convencer revendedores a optarem pelo produto nacional. "Vamos mostrar que não faltam opções, e argumentar que é mais difícil para a loja importar, que ainda corre o risco de ficar com todo o estoque encalhado. O mercado é muito dinâmico". 

Para aumentar a competitividade frente ao produto chinês, o presidente da Abrinq cita como pontos favoráveis o aumento da capacidade de produção da indústria que, como resultado, provocou deflação em alguns itens, e permitiu torná-los mais atrativos aos revendedores.

O setor também busca reduzir alíquotas relacionadas a peças importadas dos vizinhos latinos, no âmbito de acordos feitos no âmbito do Mercosul.  "Iremos buscar redução de 35% para 16% em algumas peças que não conseguimos produzir o volume adequado no País". Para Costa, a taxação deve recair sobre o produto acabado, e não sobre o processo anterior.



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