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Companhia malaia completa um ano de atividade no país e tem interesse em Libra, que será leiloada em outubro

Brasil Econômico

Prestes a completar um ano de operações no Brasil, a petroleira estatal malaia Petronas prepara-se para tentar o grande salto no mercado brasileiro. A empresa está concluindo a estruturação de sua área de exploração e produção de petróleo e já avalia os dados da área de Libra, no pré-sal, que será leiloada em 22 de outubro pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

“Participamos da 11ª Rodada de Licitações (realizada pela ANP em maio) como um teste, para aprender como funciona, como são os processos de entrega de documentos”, conta Guilherme de Paula, presidente da Petronas do Brasil, que coordena as operações da companhia na América Latina. No leilão, a empresa fez ofertas mas não obteve sucesso.

A Petronas E&P do Brasil vai funcionar no centro do Rio e tem como primeiro ativo uma participação de 40% no campo de Tubarão Martelo, na Bacia de Campos, operado pela OGX, de Eike Batista. A fatia foi comprada no início de maio, por US$ 850 milhões escalonados em três parcelas, que vencem de acordo com o atingimento de metas pelo operador.

Plataforma da OGX na Bacia de Campos
Divulgação
Plataforma da OGX na Bacia de Campos

“As análises para esta operação foram muito criteriosas”, diz de Paula, ao ser questionado sobre os riscos da parceria com uma empresa que declarou recentemente que seu principal campo produtor, Tubarão Azul, produzirá muito menos do que o esperado, por conta de problemas de reservatório. A Petronas já desembolsou US$ 250 milhões pelo ativo. Outra parcela, de US$ 500 milhões será paga no início das operações, ainda este ano.

Embora as operações de exploração e produção sejam o carro chefe da companhia, sua chegada ao Brasil se deu por meio de outra atividade: a produção de lubrificantes. Em 2007, a empresa comprou a FL, empresa de lubrificantes que havia sido criada pela Fiat, mas estava nas mãos de fundos de investimentos, levando no negócio uma fábrica em Contagem (MG), que fornece para a unidade local da montadora italiana.

Com passagem pela Shell, Guilherme de Paula foi convidado para assumir a operação brasileira, que já recebeu investimentos de R$ 110 milhões para duplicar a capacidade de produção. Hoje, com 10% do mercado nacional, que totaliza 1,5 bilhão de litros por ano, a empresa tem meta de crescimento de 70% nas vendas até 2017. Uma nova unidade já está em estudo no país.

Além disso, o executivo diz que a companhia já identificou quatro oportunidades de crescimento na América Latina, com fábricas planejadas para Chile, Colômbia, Peru e México. As três primeiras serão coordenadas pela filial brasileira, que já abastece os países por meio de exportações. A última, pelos Estados Unidos. O investimento nas fábricas é estimado em R$ 190 milhões.

Enquanto no Brasil a empresa vem avaliando oportunidades de crescimento, na Malásia ela anunciou ontem atrasos no start up do complexo petroquímico local estimado em US$ 19 bilhões, para 2018.

O projeto é considerado o maior do país em infraestrutura e caso não acontecesse, seria um golpe na economia do país do Sudeste Asiático. O complexo já havia sido adiado outras vezes.

Uma das complicações está na dificuldade de se garantir abastecimento de água e atender a propostas de parceiros internacionais, conforme informou uma fonte próxima da Petronas. Além disso, aldeias e túmulos que ocupariam áreas cinco vezes o tamanho do Central Park estão entre os entraves no caminho. Com Reuters