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O setor despontou no acumulado do ano até maio, superando o resultado de todos os demais estados brasileiros no período

Estado se beneficia do deslocamento do consumo para produtos de menor custo e perecíveis
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Estado se beneficia do deslocamento do consumo para produtos de menor custo e perecíveis

A indústria fluminense acumula neste ano, até maio, alta superior à da média nacional e mesmo à de São Paulo, maior parque industrial brasileiro. No Rio, o setor cresceu 5,4%, no período, enquanto São Paulo avançou 2,8% e a indústria brasileira como um todo, 1,7%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“O Rio está aproveitando melhor as oportunidades”, avalia o analista de Economia e Estatística da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), William Figueiredo.

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Ele ressalta que até mesmo a alta do dólar em comparação ao real, em alguns segmentos, tem sido favorável. Além disso, a indústria fluminense está se beneficiando do deslocamento do consumo, antes muito centrado em bens de consumo duráveis, e, atualmente, mais voltado para produtos de menor custo e mais perecíveis.

É o caso da atividade gráfica, que, de janeiro a maio, despontou com o principal crescimento entre as atividades presentes no estado, de 53,7%. Segundo a Firjan, nesse caso, a produção foi impulsionada pelo crescimento das vendas de livros e cds. “Endividadas, as famílias estão optando por comprar bens de consumo imediato, como livros”, conta Figueiredo.

Em seguida, entre as principais altas, aparecem os veículos automotores (40,2%), por conta, basicamente, dos caminhões. A determinação de governo para que os caminhões utilizem motores menos poluentes exigiu a renovação da frota, o que acabou elevando o consumo e a produção desse tipo de veículo.

Ao todo, no acumulado do ano, cinco segmentos da indústria fluminense cresceram mais do que a média nacional em 2013 - além de gráfico e de automotores, farmacêutico (17,6%), alimentício (9,4%), borracha e plástico (9,2%). A indústria de transformação do Rio, em geral, cresceu 8,9%.

O economista aponta ainda outro motivo para a melhora da indústria local - os eventos esportivos que acontecerão na capital. Por causa da Copa de 2014 e dos Jogos Olímpicos, a Coca-Cola, por exemplo, investiu R$ 1 bilhão na fábrica do município de Duque de Caxias.

Figueiredo cita ainda o fato de a base de comparação das estatísticas de produção serem favoráveis à indústria fluminense.

No segundo semestre, no entanto, não acontecerá o mesmo, porque, de julho a dezembro de 2012, o resultado da indústria fluminense foi melhor do que em igual período imediatamente anterior.

Ainda assim, a expectativa da federação é que o setor local continue crescendo acima da média nacional, que deve fechar em 1%, segundo as projeções da Firjan.

“O restante do ano não deve ser suficiente para sustentar um crescimento próximo de 9%, como no acumulado do primeiro semestre. Mas, será positivo e superior ao da média do Brasil”, afirma o economista.

Para junho, a perspectiva é que o resultado da produção reflita as manifestações das ruas, que obrigaram algumas fábricas a reduzir o expediente e ainda complicou o transporte de insumos e produtos, embora a mensuração do impacto dos protestos não seja possível, segundo Figueiredo.

Em maio, último dado divulgado pelo IBGE, a indústria do Rio produziu 0,8% menos do que no mês imediatamente anterior. Ainda assim, a queda foi inferior à da média nacional, de 2%, e também menor que a de São Paulo, de 3,7%. Ante igual mês do ano anterior, a produção no Rio avançou 3% em maio, enquanto a indústria brasileira cresceu 1,4%.

A queda de abril para maio “não chega a ser preocupante”, segundo Figueiredo. Mas, em sua opinião, o momento é de cautela na decisão de investimentos no crescimento da produção.

O economista da Firjan ressalta que todas as projeções da economia brasileira estão sendo revistas para baixo semanalmente, o que influencia ainda mais a confiança do empresariado e acaba tendo reflexos prático no setor.

O câmbio é um fator preocupante, sobretudo, para segmentos exportadores, como de petróleo e gás natural, predominante na indústria fluminense. Embora, para a economia do Rio, seja positivo.O segmento farmacêutico é outro de grande importância local e, ao mesmo tempo, bastante impactado pela alta do dólar frente ao real, salienta Figueiredo.

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