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Governo do estado diz que produção da Bacia do Parnaíba deve ser usada também para garantir o desenvolvimento industrial. Hoje, todo o combustível é destinado à geração de energia elétrica

Brasil Econômico

O governo do Maranhão quer obrigar a OGX e futuros produtores de gás natural no estado a garantir uma parcela da produção para outros mercados consumidores. Atualmente, os planos de negócios das empresas trabalham com um modelo que prevê a instalação de usinas térmicas para aproveitar o gás, a exemplo do projeto integrado da OGX e MPX em Santo Antônio dos Lopes, a 260 quilômetros de São Luis, tema de reportagem publicada na edição de ontem do Brasil Econômico . O objetivo do governo estadual é desenvolver o consumo do combustível por indústrias locais e pelo mercado automotivo.

Governo do Maranhão quer obrigar a OGX e futuros produtores de gás natural no estado a garantir uma parcela da produção para outros mercados consumidores
Divulgação
Governo do Maranhão quer obrigar a OGX e futuros produtores de gás natural no estado a garantir uma parcela da produção para outros mercados consumidores

“O estado não vai aceitar que todo esse gás se transforme em energia elétrica”, diz o secretário de Indústria e Comércio do Maranhão, Maurício Macedo. Ele calcula que já existe hoje um mercado de até 2 milhões de metros cúbicos por dia no estado, em empresas como Alumar, Vale, Ambev, e para vendas como gás natural veicular (GNV). “Estamos negociando uma cota de até 6 milhões de metros cúbicos por dia, que justifiquem a construção de um gasoduto pela Gasmar (a distribuidora estadual de gás)”, informa. Segundo ele, o volume de 6 milhões de metros cúbicos pode ser atingido em cinco anos.

Atualmente, a OGX produz 4,5 milhões de metros cúbicos por dia em nove poços no campo de Gavião Real, em Santo Antônio dos Lopes. Todo o volume está comprometido com a térmica Parnaíba I, da MPX, que está operando com uma capacidade de 676 megawatts (MW). A companhia prevê a interligação de mais sete poços, na fase inicial do projeto, mas a nova produção também está contratada pela térmica. Há, porém, duas novas descobertas em cidades vizinhas, Gavião Azul e Gavião Branco, que ainda não têm os planos de negócios definidos.

Conhecido como gas by wire (ou gás pelo fio), o modelo de negócios usado pela OGX/MPX é o preferido das empresas que têm concessões exploratórias na região, por evitar os custos e entraves ambientais à construção de gasodutos: para vender energia, basta uma linha de conexão da térmica ao Sistema Interligado Nacional. Vencedor da concorrências na região durante a 11ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), com sua Ouro Preto Petróleo, o empresário Rodolfo Landim diz que a Bacia do Parnaíba se tornará, no futuro, um grande polo de produção de eletricidade a partir do gás.

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Com 680 mil quilômetros quadrados, a bacia foi uma das mais disputadas da licitação, realizada em maio deste ano. Ao todo 20 áreas foram arrematadas por empresas de todos os portes, como Ouro Preto, OGX, a portuguesa Petrogal e a Petrobras, com um bônus de assinatura de quase R$ 120 milhões. Pela primeira vez, foram concedidas áreas no Piauí. Presente no leilão, o governador do estado, Wilson Martins, também vislumbra gasodutos levando a produção aos mercados industrial, comercial e residencial. “Precisamos gerar mais energia, mas vamos tratar também da construção de um gasoduto”, afirmou.

Os dois estados veem o início da produção de gás como um combustível para atrair novos negócios. “Usar 100% do gás para geração térmica é um contrassenso para o desenvolvimento econômico do Maranhão”, resume o secretário Macedo.

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