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Projetos de extração do mineral, usado para produzir fertilizantes, entram em fase de licenciamento ambiental e busca de recursos

Brasil Econômico

Cinco anos depois da ofensiva do governo pela redução da dependência externa no fornecimento de fertilizantes, os dois principais projetos de produção de potássio no Brasil entram em fase decisiva, com pedidos de licença ambiental para o início da extração e a busca por financiamento. Juntas, as minas de Autazes, no Amazonas, e São Gotardo, em Minas Gerais, foram projetadas para produzir 5 milhões de toneladas de cloreto de potássio por ano, o equivalente a 75% do volume importado em 2012. Um terceiro empreendimento, em Sergipe, está sendo revisado pela Vale.

Mina de potássio Rio Colorado, da Vale, na Argentina
Divulgação
Mina de potássio Rio Colorado, da Vale, na Argentina

O projeto mais adiantado, operado pela Verde Potash, prevê a produção de 3 milhões de toneladas por ano em mina a céu aberto na região do Triângulo Mineiro. Segundo o presidente da empresa, Cristiano Veloso, o projeto aguarda a licença ambiental para o terceiro trimestre. “Daí, sairemos em busca dos recursos para o início das obras”, diz o executivo. O cronograma original previa início da produção em 2015, com investimento de US$ 2,3 bilhões. Os números, porém, serão revistos devido ao atraso no processo do licenciamento e à inflação.

A Brazil Potash, que tem autorização para explorar a mina de Autazes, às margens do Rio Madeira, planeja pedir a licença ambiental para a extração até o final do ano. “Se o cronograma correr dentro do esperado, podemos iniciar a produção entre o fim de 2017 e o início de 2018”, diz o diretor-gerente da empresa, Hélio Diniz. O projeto prevê, em sua fase inicial, a produção de 2 milhões de toneladas por ano, em mina subterrânea. Paralelamente, a companhia inicia um estudo de viabilidade técnica do projeto para apresentar a investidores - a abertura de capital em bolsa de valores está nos planos da canadense.

O Brasil tem hoje apenas uma mina de potássio em produção, Taquari-Vassouras, em Sergipe, com uma capacidade de 600 mil toneladas por ano, o equivalente a 7% do consumo nacional. Os outros 93% são importados, responsáveis por um déficit de US$ 3,5 bilhões na balança comercial brasileira em 2012. Em 2008, quando os preços internacionais bateram em US$ 1 mil por tonelada, o governo cobrou investimentos da Vale e da Petrobras, que tinham reservas já descobertas, e determinou uma série de estudos para incentivar a produção nacional.

A bronca resultou em uma troca de ativos entre Petrobras e Vale, concluída no ano passado, que garantiu à estatal uma fábrica de fertilizantes nitrogenados no Paraná em troca de direitos de exploração de potássio no projeto Carnalita, em Sergipe. A Vale informou que está revisando a engenharia e análise técnico-econômica do empreendimento, para apreciação pelo Conselho de Administração.Em abril de 2012, o presidente da mineradora, Murilo Ferreira, esteve em Sergipe com a presidente Dilma Rousseff para anunciar prioridade para o projeto.

Apesar do crescimento do consumo brasileiro, o mercado mundial de potássio não vive bom momento. Os preços internacionais vêm oscilando na casa dos US$ 400 por tonelada. O mercado projeta em US$ 500 por tonelada o valor mínimo para justificar novos projetos. “A proximidade com o mercado consumidor nos dá uma vantagem de US$ 180 por tonelada frente aos principais produtores (Rússia e Canadá). Além disso, os preços tendem a subir no longo prazo”, comenta Diniz, da Brazil Potash. Os planos da empresa preveem o transporte da produção em barcaças que sobem o Rio Madeira vazias após descer com soja do Centro-Oeste em direção a Itacoatiara, vizinha de Autazes.

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